O secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), afirmou esta quarta-feira que há várias escolas no país onde a prova de avaliação de conhecimentos para professores contratados não foi realizada devido à greve dos docentes vigilantes.

Mário Nogueira falava aos jornalistas em frente à Escola Preparatória Marquesa de Alorna, uma das escolas onde a Fenprof tem estado a marcar presença devido à greve de docentes ao serviço relacionado com a prova que estava prevista que se realizasse hoje em 113 escolas. Nesta escola de Lisboa, nenhum dos 120 professores inscritos realizou o exame.

A adesão à greve dos vigilantes «está a ser extraordinária» e já fez com que escolas em Lisboa, Viseu, Faro, Setúbal, Évora, Barreiro, Almada, Guarda, Vila Real, Guimarães e Braga não realizassem a prova, indicou o líder sindical.

Mário Nogueira disse que, «com esta situação, a prova está ferida de morte» e que, «politicamente, o ministro [da Educação] vai morrer com ela».

De acordo com o dirigente sindical, há casos de escolas em Faro e em Beja, onde juntaram os professores todos em refeitórios e ginásios para fazer a prova devido à falta de vigilantes.

Em Viseu, «cerca de dois terços dos professores» contratados com menos de cinco anos de serviço não realizaram a prova, informou o dirigente da Fenprof, Francisco Almeida.

«Estavam inscritos cerca de 800 professores para realizar a prova, mas cerca de 2/3 não a fizeram devido à greve dos professores que iriam estar a vigiar», avançou.

De acordo com Francisco Almeida, não se realizaram provas no Agrupamento de Escolas do Viso, Agrupamento de Escolas Viseu Sul e na EBI de Vouzela.

Em Viseu Sul, ao qual pertence a Escola Infante D. Henrique, «só um dos 200 professores convocados para vigiar não fez greve». O Viso «teve dois professores que furaram a greve» e em Vouzela «a greve foi a 100 por cento». De acordo com o sindicalista, só na Escola Secundária Alves Martins os professores contratados prestaram prova.

Mais de 300 professores de Faro que estavam inscritos não realizaram a prova por falta de condições, segundo o Sindicato de Professores do Sul.

Na escola Pinheiro e Rosa, em Faro, foram os próprios docentes que iam ser submetidos ao exame que se revoltaram, mas muitos dos professores vigilantes também estavam de greve.

Nas duas escolas em Portimão onde estava prevista a realização da prova de avaliação, esta foi efetuada.

Em Vila Real, a prova não se realizou na escola Morgado Mateus, depois de um grupo de docentes em protesto ter demovido os colegas.

Carlos Taveira, dirigente do Sindicato dos Professores do Norte, disse à agência Lusa que nenhum dos professores inscritos na Morgado Mateus fez a prova, enquanto apenas nove estão a efetuá-la na escola São Pedro. Estavam inscritos no total cerca de 380.

Protestos da maioria dos 192 professores inscritos impediram a realização do exame na Escola Secundária D. Manuel I, em Beja.