Um homem, de 28 anos, foi detido em Ovar após alegadamente ter agredido a companheira e ferido um polícia, barricando-se em seguida na sua auto-caravana.

Ao programa SOS24, da TVI24, a mãe do jovem relatou os problemas mentais do filho e queixou-se do facto da polícia ainda não ter falado com ela.

Se tiveram tempo para falar com os jornalistas, também teriam tempo para falar com a mãe, porque eu só queria ajudar. Eu podia ter dito que ele estava sobre tratamento compulsivo-ambulatório, esta é a primeira informação essencial. Quando falamos em internamento compulsivo-ambulatório, quer dizer que fica sujeito a uma injeção de 15 em 15 dias e que não se pode ausentar do concelho. Mas isto é muito bonito em termos de papelada."

A mãe revela que há dois meses que o filho falta às injeções e queixa-se de falta de apoio, porque ninguém interna o filho para o recuperar.

O Estado que não me obrigue novamente a rastejar perante delegados de saúde, mandados de detenção e oferecer a minha vida por escrito, porque dizem-me que é preciso ele cometer um crime contra ele ou contra outros para ser detido. Só quando comete crime é que é detido, enquanto não o comete eu vou tentando mandados, falar com os médicos, tentando que vá à injeção. Ele não é obrigado a nada, é mentira. Ele não faz a injeção há dois meses."

E mesmo sendo detido, como aconteceu em maio, o jovem acaba por sair sempre para a rua.

Há um mês ele foi detido em Lisboa. Foi presente ao DIAP no dia 24 após ser detido pela mesma circunstância. A senhora que está com ele, que se diz agredida ou vítima, no dia 24 de maio com o meu filho voltou a fazer o mesmo e fugiu. Ela também tem problemas psiquiátricos, conheceu-a no internamento de psiquiatria de Faro, porque ela se auto-mutila e tem vários problemas relacionados com violência doméstica."

O jovem foi internado, mas um dia depois teve alta: "Teve um dia internado desde a última vez, veio do S.José para o Hospital de Faro e no dia seguinte estavam a dar-lhe alta."

A mãe, de forma emocionada, conta um episódio em que ofereceu a sua vida para tentar que o filho fosse tratado.

"Foi-me dito a mim pelo delegado de saúde que era preciso ele cometer um crime e eu escrevi que oferecia a minha vida, disse: "ele vai cometer um crime contra mim e vocês internam-no para ele ser tratado". Nessa altura ele estava há uma semana em casa barricado, sem comer e sem beber. Ele entra em pânico e com esses ataques fica com medo de toda a gente e agressivo. Ele nem tem noção do que está a fazer, inclusive comigo. Eu deixava-lhe um saco de comida à porta, para ele não passar fome mas ele não comia. Fui ao delegado de saúde e disseram-me que não porque ele não estava a pôr em perigo a vida de ninguém. Ele estava a morrer dentro de casa!"

Não parece haver solução para o internamento do jovem, sem ser com um crime, até porque a mãe diz ter esgotado todas as possibilidades.

Tenho aqui uma folha de um médico que pede ao tribunal que ele seja encaminhado para uma comunidade terapêutica, eu já pedi ao juiz que o libertou, já chorei no DIAP. Deixaram-no sair, já fui a tribunal, a médicos, a hospitais, a advogados, já gastei fortunas... O meu filho acaba sempre por vir para a rua." 

Pouco depois das 13 horas, o homem foi detido pela PSP, após atuação de negociadores do Grupo de Operações Especiais (GOE) da PSP, que vieram propositadamente de Lisboa, e aplicação de gás lacrimogéneo. 

As autoridades foram chamadas, "por volta das 07:30", para um caso suspeito de violência doméstica, em que um homem estaria a agredir uma mulher. 

De acordo com fonte policial citada pela Lusa, "uma senhora tinha sido agredida pelo companheiro e acabou estendida no chão".

Quando a polícia chegou, junto ao centro comercial Dolce Vita, o suspeito, de 28 anos, fugiu com a autocaravana, a alta velocidade, pelo centro da cidade de Ovar. Até ter ficado imobilizada, no centro da cidade, a autocaravana abalroou dois carros da polícia, deixando-os "muito danificados". Um dos agentes ficou ferido e teve de receber tratamento hospitalar.