A ex-bastonária da Ordem dos Enfermeiros Maria Augusta Sousa assegurou esta sexta-feira que, durante o seu mandato, não teve acesso "a qualquer informação ou suspeita" sobre a prática de eutanásia.

A afirmação consta numa carta que Maria Augusta Sousa dirigiu à atual bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, que deu a entender, em declarações no sábado, à Rádio Renascença, que a eutanásia pode ser já, de alguma forma, praticada nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

"Cabe-me afirmar que não tive acesso a qualquer informação ou suspeita sobre prática, ou proposta de prática, de eutanásia. O mesmo me foi assegurado pelo bastonário [Germano Couto] que me sucedeu no mandato 2012-2015", assinalou Maria Augusta Sousa, na carta que o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses enviou, por correio eletrónico, à agência Lusa.

Maria Augusta Sousa foi bastonária da Ordem dos Enfermeiros de 2004 a 2011, tendo assumido, anteriormente, responsabilidades na Comissão Instaladora da Ordem e no seu Conselho Diretivo.

Na carta, a ex-bastonária condena as declarações da atual bastonária, por, a seu ver, criarem "um clima de suspeição relativamente aos hospitais do SNS e aos seus profissionais, atingindo de forma particular todos os enfermeiros que, no seu quotidiano, assumem a responsabilidade da continuidade de cuidados e da garantia da segurança que aos doentes é devida".

Em declarações ao programa "Em nome da lei", da Rádio Renascença, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, disse que viu "casos em que médicos sugeriram administrar insulina" a doentes, "para lhes provocar um coma insulínico".

Para Maria Augusta Sousa, não se pode confundir "fragilidades organizativas ou operacionais dos hospitais, e/ou outras instituições, com a prática de eutanásia".

A ex-bastonária considera que a eutanásia exige um debate "cientificamente rigoroso, sério e sem recurso a suspeitas" e teme que as afirmações de Ana Rita Cavaco "tenham contribuído para enfraquecer" a confiança das pessoas nos enfermeiros.

Maria Augusta Sousa, que preferiu não tornar pública, por sua iniciativa, a carta, deu, no entanto, autorização às organizações profissionais de enfermeiros para o fazerem, se assim o entendessem.

O ministro da Saúde pediu à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde uma intervenção com caráter de urgência, na sequência das declarações de Ana Rita Cavaco.

A Ordem dos Médicos anunciou também que quer apresentar uma participação ao Ministério Público e à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde contra a bastonária da Ordem dos Enfermeiros.