O Comando de Faro da Polícia de Segurança Pública (PSP) negou este sábado que durante uma operação «stop» em Portimão agentes tenham agredido um enfermeiro ao serviço do Instituto da Droga e Toxicodependência, como afirma o Sindicato dos Enfermeiros, escreve a Lusa.

Segundo o presidente do Sindicato, José Azevedo, o enfermeiro António Malta foi, sem qualquer razão, vítima de «brutal agressão» durante uma operação de controlo de tráfego na madrugada deste sábado, e posteriormente levado ao Hospital do Barlavento Algarvio, onde foi observado e retido para exames às «múltiplas lesões».

«Resistiu activamente»

A PSP de Faro disse à Lusa que, por «resistir activamente» à ordem de detenção, o indivíduo foi apenas «algemado no solo, sem qualquer agressão», e que os agentes no local recorreram a técnicas de imobilização, mas «usando apenas da força estritamente necessária», que poderão ter causado lesões, nomeadamente nas costas e nos pulsos.

Segundo a mesma fonte, o enfermeiro terá desobedecido à ordem de paragem e destruído, com a autocaravana que conduzia, a sinalização colocada pela polícia no local, «claramente identificado», junto a um hipermercado.

«Proferido injúrias»

Confrontado pelos agentes, terá «mostrado desrespeito» e mesmo «proferido injúrias» contra os mesmos.

«Demonstrou uma atitude de estar acima da operação, pela função que desempenhava, com bastante arrogância», adiantou o Comando da PSP.

Já na esquadra, «mais calmo», terá pedido para receber assistência hospitalar, alegando indisposição e problemas cardíacos, pelo que foi chamada uma equipa do INEM, que «concluiu que não havia necessidade» de levar o enfermeiro até ao hospital.

Levado ao hospital

Face à insistência do detido, acabou por ser levado ao hospital por uma ambulância dos bombeiros, de onde saiu pelo seu próprio pé, referiu a PSP de Faro.

A mesma fonte sublinhou que toda a operação de controlo de tráfego foi acompanhada pelo Ministério Público de Portimão e diz-se «surpreendida» pelas posteriores declarações do Sindicato.

A auto-caravana conduzida por António Malta, identificada como ao serviço do IDT e veículo do Estado, iria hoje fazer um rastreio de rotina de HIV-Sida junto ao hipermercado.

«Quando o agente mandou parar a viatura, o enfermeiro parou demasiado próximo do agente, que o mandou recuar um metro e parar o motor. O enfermeiro obedeceu, mas quando se lembrou do material em perigo de deterioração, resolveu ligar o motor novamente. O agente terá interpretado mal esta teimosia», referiu o presidente do Sindicato dos Enfermeiros.

«A auto-caravana é mais que conhecida, pois há anos que faz aquele serviço. Podia passar despercebida a um cidadão normal; mas um agente da PSP, em seu perfeito juízo, dificilmente [terá] feito as suas rondas sem conhecer a viatura», adiantou.

Pontapés e murros

José Azevedo referiu ainda que António Malta foi vítima de «pancadaria, por mais de um agente, com pontapés no abdómen, murros nas costas e pontapés nos joelhos, sem esquecer os dolorosos pontapés no escroto», havendo «várias testemunhas do arraial de pancadaria, num cidadão desarmado e inofensivo, funcionário no exercício da sua actividade normal».

De acordo com o sindicalista, já no hospital, os agentes voltaram a «entrar abusivamente na Urgência, como se de um criminoso se tratasse e não de um inofensivo e indefeso cidadão combalido pelas agressões policiais».

Por injúrias e resistência à actuação policial, o enfermeiro comparecerá em tribunal nos próximos dias, encontrando-se sujeito a termo de identidade e residência, refere a PSP de Faro.