Pelo menos quatro pessoas foram detidas esta segunda-feira de manhã nas buscas ao Bairro da Torre, em Camarate, no concelho de Loures, que foi cercado pela PSP.  As 7:00, o Grupo de Operações Especiais (GOE) da Unidade Especial de Polícia entrou no bairro, referiu uma fonte policial à TVI24. A operação terminou pelas 12:00.

Alegadamente tratou-se de um processo de tráfico de armas, que tem ligações à situação das agressões de Porto Alto, em que um militar da GNR foi atingido com três tiros por uma arma ilegal a civis.

O porta-voz do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa (COMETLIS) disse entretanto à agência Lusa que a PSP estava a apoiar uma operação da Polícia Judiciária, de forma a manter a ordem pública naquele bairro do concelho de Loures. Sérgio Soares adiantou que estavam a ser realizadas buscas domiciliárias.

Na sexta-feira em Porto Alto, no distrito de Santarém, ocorreu uma troca de tiros, na sequência de uma perseguição iniciada pouco antes na ponte Vasco da Gama, na região de Lisboa, quando três homens que seguiam numa viatura desobedeceram a uma ordem de paragem.

A viatura acabou por se despistar e um dos homens saiu do carro empunhando uma arma e disparou em direção aos militares da GNR, ferindo um deles com três tiros (dois numa perna e um num braço).

Na resposta, o homem foi baleado, acabando por morrer no local. Os restantes dois foram detidos.

Os dois arguidos detidos na sequência do tiroteio ocorrido no Porto Alto, na sexta-feira, ficaram em prisão preventiva pela prática de roubo, sequestro e homicídio qualificado na forma tentada, entre outros crimes.

Loures pede ajuda ao Governo para erradicar barracas

A Câmara Municipal de Loures pretende encontrar, juntamente com o Governo e com a ANA - Aeroportos de Portugal, uma solução de realojamento para as famílias que ainda residem no bairro da Torre.

Este bairro, cujos terrenos pertencem maioritariamente à ANA - Aeroportos de Portugal, foi alvo de um processo de erradicação do seu núcleo habitacional entre 2008 e 2012, tendo sido realojadas as famílias que estavam abrangidas pelo Plano Especial de Realojamento (PER). Foi atribuído um subsídio às restantes, para que encontrassem uma solução alternativa.

As famílias que vivem atualmente no bairro da Torre fazem-no à revelia, uma vez que já tinham recebido apoio da Segurança Social para encontrar uma habitação alternativa, segundo disse à Lusa a vereadora com o pelouro da Habitação e Coesão Social, Maria Eugénia Coelho.

"Até 2012 fizemos um trabalho de parceria com a Segurança Social para que as famílias que não estavam abrangidas pelo PER pudessem ser ajudadas financeiramente para encontrar uma outra habitação. No entanto, quando deixaram de receber esse subsídio, muitas famílias decidiram regressar ao bairro e reerguer a sua barraca", lamentou.

Contudo, a autarca, que integra o executivo municipal liderado pelo comunista Bernardino Soares desde 2013, ressalvou que desde que está em funções não permitiu que fosse reerguida mais nenhuma barraca.

Assim que tentam construir alguma [barraca] nós demolimos. As que existem já cá estavam quando chegámos. Estamos a tentar encontrar uma solução de realojamento para estas famílias, embora não seja nossa obrigação".

Nesse sentido, Maria Eugénia Coelho referiu que a autarquia já solicitou reuniões com a ANA para discutir soluções para o bairro e que também já pediu apoio técnico à Faculdade de Arquitetura.

"Enquanto não aparece essa solução o nosso trabalho tem sido o de dar as melhores condições de salubridade às famílias. Sozinhos não podemos fazer mais. Precisamos de um apoio do Governo", apontou.