Nove embarcações sem ocupantes que estavam no porto de abrigo de Santa Cruz afundaram hoje devido à forte ondulação que se regista na Madeira, revelou o capitão do porto do Funchal, que aconselha a população a evitar a orla costeira.

«Em Santa Cruz, nove embarcações pequenas, de recreio, começaram a meter água e afundaram, e algumas estão completamente destruídas», afirmou à agência Lusa Félix Marques.

Em Machico, a Capitania do Funchal, com a ajuda do caiaque de um popular, retirou da água um homem que estava junto à sua embarcação de pesca na tentativa de a amarrar melhor.

«O homem foi transportado para terra e, como apresentava alguns sinais de hipotermia, foi levado para o centro de saúde local», adiantou o responsável, informando que, «aparentemente, estava bem».

O responsável referiu que, «para evitar situações como esta e porque as ondas estão a entrar com muita força no porto de abrigo, foram encerrados os acessos aos respetivos pontões».

«No porto de recreio de Machico, com o agravar das condições meteorológicas, em terra e no mar, é de prever que haja ali embarcações que vão também ser atingidas», admitiu o capitão do porto do Funchal, apelando à população para que evite permanecer junto à orla costeira e que não tente aí recuperar os seus bens, pois«¿estão a colocar a sua vida em perigo, assim como de quem os terá de salvar».

À agência Lusa, o presidente da Câmara de Machico, Ricardo Franco, declarou que as vagas do mar já destruíram um dos passadiços do porto de recreio e atingiram o parque desportivo de Água de Pena, tendo danificado o restaurante.

«O mar está bastante alteroso, com vagas bastante grandes», referiu Ricardo Franco, notando que ainda não se consegue ter uma ideia exata dos prejuízos neste local devido à forte rebentação.

Entretanto, a Câmara de Santa Cruz, que esta tarde reuniu a Comissão Municipal de Proteção Civil, fez saber em comunicado que foram realojadas temporariamente numa unidade hoteleira da cidade, três pessoas que «viviam há anos num barracão à beira-mar».

A autarquia, liderada por Filipe Sousa, adianta que no encontro «foi decidido manter todos os organismos em alerta máximo».

«Todas as juntas de freguesia vão ter equipas de prevenção e locais que podem ser utilizados para o caso de ser necessário deslocar população», adianta a câmara, explicando que em Santa Cruz poderá ser usado o pavilhão junto à escola secundária, na Camacha as instalações da Casa do Povo, no Caniço o pavilhão e a sede dos escuteiros na Mãe de Deus.

«No Santo da Serra está a ser equacionado o INATEL; em Gaula, estará disponível a própria junta de freguesia», refere o comunicado.

Para o município, «são as condições do mar que geram a maior preocupação» e que já levaram ao fundo várias embarcações que estavam no porto de recreio.

«Em deslocação ao local, o presidente e a restante vereação assistiram a vários pessoas curiosas que enfrentam o perigo para ver o espetáculo do mar», razão pela qual a Câmara «decidiu interditar toda a "promenade" de Santa Cruz, o cais do Porto Novo e os acessos ao porto de abrigo e ao porto de recreio».