As mortes de mais de 74.000 crianças por tuberculose poderiam ser evitadas em cada ano através de medidas como as que são apontadas no primeiro plano de ação especificamente sobre tuberculose na infância, divulgado hoje pela OMS.

O «guia para a tuberculose infantil: em direção a zero mortes», divulgado hoje pela organização estima que 120 milhões de dólares (88,8 milhões de euros) por ano poderiam salvar dezenas de milhar de crianças da doença, incluindo as infetadas com tuberculose e sida.

O guia recomenda dez ações aos níveis nacional e global, como, entre outros, a inclusão das necessidades das crianças e dos adolescentes na pesquisa e nas práticas clínicas, medidas preventivas, treino e desenvolvimento de materiais de referência para os profissionais de saúde.

A OMS estima que um em cada dez casos de tuberculose (entre 6 a 10 por cento do total de casos) ocorre neste grupo etário, mas alerta que o número pode ser maior, já que a doença não é diagnosticada em muitas crianças.

«A tuberculose pode prevenir-se e tratar-se e este guia foca-se em ações imediatas que governos e parceiros podem adotar para acabar com a morte de crianças», afirmou à Lusa, Mario Raviglione, diretor do Programa Global para a Tuberculose, da OMS.

O valor de 120 milhões de dólares avançado pela OMS inclui 40 milhões (29,6 milhões de euros) para tratamentos antirretrovirais contra o VIH e terapias preventivas para crianças que contraem as duas doenças.

«Demasiadas crianças com tuberculose não estão a receber o tratamento de que necessitam», disse à Lusa o diretor dos programas para a UNICEF, Nicholas Alipui.

Esses fundos permitirão melhorar o diagnóstico e os tratamentos para crianças e a integração dos tratamentos da tuberculose nos programas existentes de saúde materna e infantil, bem como preparar melhor os profissionais de saúde e melhorar meios como medicamentos, diagnósticos e vacinas, sublinha o documento.

«Para atingirmos as zero mortes por tuberculose temos que nos focar nos grupos mais vulneráveis e as crianças são as mais vulneráveis de todos. Os passos definidos neste documento são simples e baratos», frisou Lucica Ditiu, secretária executiva da Parceria para acabar com a tuberculose.

Mais de 175 países assinaram uma declaração, em junho de 2012, visando redobrar esforços para acabar com a morte de crianças por doenças que se podem prevenir.