Os cerca de 120 professores das Atividades de Enriquecimento Curricular da freguesia dos Olivais, Lisboa, estão sem dar aulas e admitem deixar de comparecer nos locais de trabalho por não receberem desde o início do ano letivo.

Em declarações à agência Lusa, Anabela Silva, vogal da Junta de Freguesia, com o pelouro da Educação, informou que foi pedida uma audiência ao secretário de Estado da Educação e que, se não houver uma resposta dentro de uma semana, os professores ficam em casa.

«Por enquanto, como os pais e as crianças não têm culpa desta confusão, os professores estão lá, mas não estão a dar aulas», justificou em declarações à agência Lusa.

A responsável acrescentou que não foi imposta uma data para os professores serem recebidos no Ministério da Educação, mas «dentro de uma semana, se não houver resposta, os professores deixam de ir» para os seus locais de trabalho.

Atualmente, estes professores estão a «acompanhar os miúdos no recreio para não ficarem sozinhos».

Na semana passada, os professores estiveram numa concentração de protesto à porta da Direção Geral de Educação (DGE), em Alvalade, entidade que tutela as AEC, tendo-se a Junta de Freguesia dos Olivais juntado ao protesto.

Segundo Anabela Silva, o Ministério da Educação envia as verbas para as AEC para a Junta de Freguesia, que depois paga aos professores.

«Não podemos pagar sem ter recebido. Não temos como adiantar o dinheiro», disse a vogal, frisando que os cerca de 120 professores das AEC naquela freguesia não recebem desde 16 de setembro.

Contudo, Anabela Silva assumiu que o Ministério da Educação ainda não assinou o contrato para as AEC neste ano letivo, mas acredita que está só atrasado.

«O contrato-programa diz que temos começar as AEC no dia em que começa a escola», esclareceu, acrescentando que desde que o Ministério mudou a DREL (Direção Regional de Educação de Lisboa) para a DRE «tudo ficou pior».

A agência Lusa tentou, sem sucesso até ao momento, um esclarecimento do Ministério da Educação sobre o assunto.