O presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas anunciou esta quinta-feira a convocação de um Encontro de Oficiais para 22 de fevereiro para discutir o que classificou como «calamitosa situação» dos militares e do país devido à austeridade.

«Para aí ser discutida a calamitosa situação para que nos estão a conduzir e encontrar a melhor forma de, relembrando o nosso saudoso camarada capitão Salgueiro Maia, pôr fim ao estado a que chegámos. Porque não é este o destino que os portugueses escolheram nem o que os militares juraram defender», declarou Pereira Cracel.

O presidente da AOFA disse que nesse encontro serão definidas outras medidas de contestação «no contexto dos mecanismos que a democracia coloca ao dispor» para «intervir civicamente e da forma que legalmente seja aceitável».

O corte de pensões de sobrevivência de viúvas de militares, a extinção do Fundo de Pensões, a alteração às regras do suplemento de residência que concorre para «o aprisionamento dos militares nos quartéis» e a «degradação da saúde militar» foram algumas das medidas mais criticadas pela AOFA.

Questionado sobre a referência ao capitão de Abril Salgueiro Maia, Pereira Cracel defendeu que os portugueses devem «exercer os seus direitos de cidadania».

«Se deixamos que nos façam tudo ou se exercemos o nosso direito de cidadania e afirmarmos que estamos fartos daquilo que está a acontecer e denunciarmos», apelou.

Segundo Pereira Cracel, no atual Governo «estão pessoas fundamentalistas». «Não é só a Al-Quaeda que é fundamentalista», considerou.

Sobre se a AOFA apela à demissão do Governo PSD/CDS-PP, Pereira Cracel disse que a associação não tem uma posição oficial sobre o assunto. No entanto, sublinhou o «sentimento de indignação» que disse chegar «a todos os militares» que «estão a viver com gravíssimas dificuldades».

Por seu lado, o coronel Jara Franco, vogal do Conselho Nacional da AOFA disse que a Constituição da República prevê o «direito à resistência», afirmando que «cabe aos portugueses não se deixarem cozinhar até ao fim» até «só ficarem os cozinheiros».

«Não podemos condenar os idosos a comer Cerelac até ao resto da vida», afirmou, frisando que a discussão no Encontro de Oficiais, ainda sem local definido, «está em aberto».

Relativamente à proposta do Governo para a nomeação do general Pina Monteiro para o cargo de Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Pereira Cracel espera que «exerça o seu dever de tutela e olhe com outros olhos para o que vai acontecendo às Forças Armadas e aos militares».

«O que nos interessa acima de tudo não é a personalidade que ocupa o cargo. É o que a personalidade pode fazer ou está disponível para fazer», defendeu.