Numa economia débil, tudo há para fazer. Portugal é o maior fornecedor de bens e serviços a São Tomé e Príncipe. Segundo o AICEP, representa mais de 60% das compras deste arquipélago ao exterior. Vários grupos lusitanos estão presentes no território. Construtoras como a Soares da Costa e a Mota Engil têm ganho vários projetos nas duas ilhas santomenses. As marcas de bebidas e bens alimentares portugueses são bem visíveis, sobretudo na capital.

Nos últimos anos, a oferta de alojamento e restauração aumentou significativamente, em resposta aos índices de crescimento turístico. O grupo Pestana, o primeiro a apostar no território, tenta agora recuperar o investimento de cerca de 40 milhões de euros, feito a partir de 2000. Pedro Martins, administrador executivo do grupo em S.Tomé, defende que o destino africano tem qualidades raras nas quais vale a pena apostar.
 




Um dos maiores problemas do país é a falta de quadros e elites económicas. João Gomes é a exceção que confirma a regra. O empresário santomense está à frente do grupo HB. Tem um hotel, uma empresa de materiais de construção, uma agência de viagens, uma loja de eletrodomésticos e um duty free no aeroporto de S.Tomé. Ele também olha para o futuro do país como uma oportunidade para o turismo. 





As autoridades municipais de Água Grande, distrito da capital santomense, convidaram recentemente os Transportes Urbanos de Braga para fazerem um levantamento e diagnóstico para a criação de uma rede de transportes públicos.
Teotónio Santos e Artur Rangel, já fizeram os primeiros estudos e acreditam que podem criar a primeira rede pública de transportes de S.Tomé.




Nestas ilhas do equador, o tempo corre mais devagar. Leve, leve, como dizem os locais. Uma lentidão que os estrangeiros identificam mas nem sempre aceitam como forma de fazer negócios. 

Ao longo deste século, para facilitar os investimentos, vários melhoramentos tem sido implementados ao nível da administração pública. Ainda assim, as entidades internacionais tem vindo a alertar e recomendar mais reformas no aparelho burocrático, para incentivar a entrada de capitais naquela que é uma das mais pequenas economias de África.

Mas se há característica que aproxima portugueses e santomenses é a capacidade de adaptação às circunstâncias.

O dia cai, no molhe do cais de pesca, a silhueta de um homem sentado numa cadeira, de cana na mão, recorta-se do pôr do sol. Os poucos barcos de pesca estão parados, uns encalhados, outros inutilizados.

Orlando Coelho da Fonseca é pescador, mas não vai ao mar há mais de dois anos. O motor do barco está avariado e o patrão não tem dinheiro para mandar arranjar. Ele desenrasca a vida. Pesca no molhe, usa pirogas para ir á Ilha das Rolas e faz de motoqueiro para ganhar umas dobras e ir vivendo, leve, leve.



 



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