Os lesados do Banco Espírito Santo (BES) que, esta quinta-feira, se manifestam em Lisboa chegaram à sede do Novo Banco, na Avenida da Liberdade, alguns de ânimos exaltados e colando cartazes de protesto nas paredes de vidro.

As dezenas de lesados do BES que investiram em papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES), concentraram-se inicialmente no Rossio, mas conseguiram parar um dos sentidos da avenida da Liberdade, concentrando-se agora junto à sede do banco, na Avenida da Liberdade/Rua Barata Salgueiro. 

Exaltados, alguns dos manifestantes começaram a bater nas paredes do Novo Banco, tendo sido desde logo impedidos de continuar pelo cordão policial que está junto aos vidros da instituição financeira.

«Justiça» e «queremos o nosso dinheiro» são as palavras mais ouvidas.

Gritando palavras de ordem contra o governador do Banco de Portugal e os responsáveis do Novo Banco e munidos de apitos, badalos e buzinas, os manifestantes consideram que o reembolso do papel comercial por parte do Novo Banco aos clientes lesados do BES é uma questão de justiça. VEJA O VÍDEO

A manifestação é organizada pela Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) que está a promover três prptestos em simultâneo no país: Porto (Av. dos Aliados), Caldas da Rainha (Praça 25 de Abril em frente à Câmara Municipal) e Lisboa (Zona sul do Rossio).

Ao mesmo tempo, no Parlamento, o relatório preliminar da comissão de inquérito ao colapso do BES/GES era apresentado, defendendo que é «urgente» dar resposta a estes clientes.

No Porto, mais de meia centena de clientes estiveram concentrados na avenida dos Aliados, exigindo o dinheiro investido. VEJA O VÍDEO

Os manifestantes encontram-se em frente ao balcão dos Aliados do Novo Banco, mas já se mudaram algumas centenas de metros para gritar palavras de ordem frente às instalações do Banco de Portugal, que se situa naquela mesma avenida, prometendo deslocar-se também a outras agências do Novo Banco existentes nas imediações.

«Banco de Portugal é o responsável - deixou a raposa no galinheiro», «Roubaram-nos a juventude com a guerra e agora roubam na velhice», «Cavaco, Coelho e Costa garantiram - Portugal desgovernado todos mandam ninguém é responsabilizado» são algumas das inscrições nos muitos cartazes que os lesados transportam.

Ao mesmo tempo, os manifestantes gritam «Queremos o nosso dinheiro» e «Gatunos».

Cerca de meia centena de lesados também estiveram concentrados nas Caldas da Rainha, onde cortaram uma estrada junto à agência do Novo Banco, na Praça 25 de Abril. VEJA O VÍDEO

O protesto teve início às 11:30, com a concentração dos manifestantes, que, ao depararem-se com a agência encerrada, desferiram murros na porta e montras das instalações do banco.

Os manifestantes reclamaram «o reembolso dos investimentos» feitos no BES (Banco Espírito Santo) e distribuíram panfletos à população, alertando os clientes de outros bancos para a fragilidade do sistema bancário.

«Hoje somos nós [os lesados] mas amanhã pode ser qualquer outra pessoa», explicou à agência Lusa Jorge Pires, da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC).


A manifestação, que movimentou cerca de meia centena de lesados do papel comercial, foi marcada pelo arremesso de ovos contra os vidros da agência que se manteve encerrada durante todo o dia.

Cerca de uma hora depois dirigiram-se para outra agência do Novo Banco, na Rotunda da Fonte Luminosa, onde voltaram a impedir os carros de circular durante mais dez minutos.

«Exigimos receber os papéis comerciais que nos devem, não estamos a pedir nada que seja nosso, queremos apenas aquilo que nós subscrevemos com garantia BES», disse à Lusa o responsável pelo movimento que garante manifestar-se «todas as semanas até que nos sejam restituídas as nossas poupanças de uma vida».

O protesto prosseguiu com uma arruada pela cidade e terminou pouco depois das 15:00 com «um agradecimento à postura dos agentes da PSP» que desviaram o trânsito durante os dois cortes de estrada e escoltaram os manifestantes pelas ruas da cidade.