A Provedoria de Justiça, em resposta a uma queixa de uma encarregada de educação, recomendou que a calendarização do teste de diagnóstico de inglês permita integrar as notas dos alunos na sua avaliação de final de ano.

As notas do teste de diagnóstico de língua inglesa para o 9.º ano ¿ Key for Schools ¿ da autoria do Cambridge Institute, mas coordenado e aplicado pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), foram afixadas a 15 de julho, depois de vários adiamentos.

Ainda assim, houve alunos e encarregados de educação que quando se dirigiram às escolas para consultar nas pautas os resultados do teste não encontraram nem o nome nem a nota.

Foi o caso de Telma Ferreira, e de alguns colegas seus, da Escola Básica Nuno Gonçalves, em Lisboa, o que levou a encarregada de educação da aluna a queixar-se junto da escola e do IAVE, para obter a nota da filha, ainda por divulgar, e também junto da Provedoria de Justiça, que respondeu com recomendações ao IAVE e com o reconhecimento de que, no caso exposto houve pelo menos um dano de confiança.

A nota do teste «Key for Schools» poderia ser utilizada pelos professores na avaliação final do ano, se assim o entendessem, mas os atrasos na divulgação da classificação impediu que isso acontecesse.

Na resposta, a provedoria adianta que os contactos com a escola confirmaram as justificações avançadas pelo IAVE para o atraso na divulgação das notas e que se prendem com um atraso no envio para correção da componente «Speaking» da prova de diagnóstico, facto que motivou uma chamada de atenção deste organismo à escola, para «impedir ou pelo menos dificultar a verificação de casos semelhantes no futuro».

A provedora-adjunta considerou que «em termos gerais» pareceu «pouco clara» a ligação deste teste de diagnóstico com o processo de avaliação contínua do ano letivo, e que no caso particular da aluna da escola de Lisboa, ainda que não tenha pedido certificação dos conhecimentos de inglês, pelo atraso na divulgação da nota «há que reconhecer a existência de um dano, quanto mais não seja na confiança que deve merecer o conjunto de regras sobre avaliação».

Reconhecendo ainda que os atrasos nas divulgações das notas se devem também ao «caráter experimental do programa», uma vez que este foi o primeiro ano em que a prova foi aplicada, a Provedoria de Justiça não deixou de dirigir uma «chamada de atenção» ao presidente do IAVE, para que «a calendarização do programa permita realmente às escolas que assim o entendam integrar os resultados dos testes na avaliação interna final do 9.º ano».

Na altura em que foi divulgado o caso desta escola de Lisboa, e contactado pela Lusa, o IAVE confirmou que havia problemas com a divulgação dos resultados deste exame, com «diferentes casos, com diferentes origens» a serem tratados individualmente por uma equipa para o efeito.

Segundo o IAVE são «casos pontuais e dispersos» e o instituto espera ver a situação resolvida «o mais rápido possível».

Recusou no entanto esclarecer quantos casos como este estão a ser analisados pela equipa do IAVE e quais as «diferentes origens» na base das falhas na divulgação de resultados, não fazendo qualquer referência ao Cambridge Institute, que chegou a ser apontado como responsável pelos atrasos.

Este teste era obrigatório para todos os alunos do 9.º ano e opcional para os estudantes com idades compreendidas entre os 11 e os 17 anos.