Um homem, de 53 anos, acusado de ter baleado a ex-companheira há cerca de um ano, em Nogueira de Regedoura (Feira) por não aceitar a separação, disse hoje no tribunal que não tinha intenção de a matar.

Ela ia a abrir a porta de casa e eu atirei um tiro para assustá-la ou para a magoar. Nunca com a intenção de a matar. Antes queria ter falhado", disse o arguido, que falava na primeira sessão do julgamento no Tribunal da Feira.

O agressor, que voltou a atingir a vítima com mais dois tiros no interior da habitação, disse que "não estava bem da cabeça", afirmando ter sido "ameaçado toda a noite" por um amigo da antiga companheira.

O arguido assumiu ainda estar arrependido do que fez, adiantando que após ter efetuado os disparos limpou a vítima, que estava cheia de sangue, e a seguir telefonou para o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), a pedir auxílio.

Ela estava a ficar muito roxa e chamei o INEM e depois entreguei-me à GNR", afirmou.

Antes de chegarem os médicos e a GNR ainda teve tempo de esconder a arma na zona de mato defronte da casa onde tinha aguardado a chegada da antiga companheira.

O arguido, atualmente em prisão preventiva, está acusado de um crime de violência doméstica, um crime de homicídio qualificado na forma tentada, um crime de detenção ilegal de arma proibida, dois crimes de ofensa à integridade física qualificada e um crime de violação de domicílio.

Arrisca ainda o pagamento de 375 mil euros de indemnização à vítima.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), o homem começou a perseguir e a ameaçar de morte a ex-companheira, após o fim da relação amorosa, em maio de 2015. Estes atos culminaram com a tentativa de pôr termo à vida daquela, através do disparo de vários tiros com arma de fogo.

O caso ocorreu na manhã do dia 10 de agosto de 2015, junto à residência onde a ex-companheira trabalhava como empregada doméstica, em Nogueira de Regedoura.

Quando a mulher chegou ao local, o arguido saiu de uma mata onde se encontrava escondido, e efetuou dois disparos com uma arma de fogo, tendo um deles atingido a ofendida, que conseguiu refugiar-se na vivenda.

A proprietária da habitação, que se encontrava grávida de cinco meses, conseguiu fugir para o jardim dos vizinhos, saltando um muro com uma filha de três anos.

O arguido seguiu no encalce da antiga companheira, acabando por encurralá-la num dos quartos da habitação e apontou-lhe novamente a arma disparando mais quatro tiros, dois dos quais atingiram a mulher na perna.

O MP refere ainda que antes deste episódio, o arguido agrediu com pontapés e socos a antiga companheira e duas menores, respetivamente filha e sobrinha da ofendida, que acorreram ao local para tentar pôr termo às agressões.

A mulher, que continua a ser observada pelos serviços de cirurgia geral do Hospital da Feira, não tendo a sua situação clínica estabilizada, diz que continua a viver atemorizada, afirmando que o ex-companheiro continua a telefonar-lhe do estabelecimento prisional insistindo para reatarem o relacionamento, após a sua libertação.