Atualizada às 15h43

Os quatro mergulhadores destacados para as operações de busca e salvamento do pesqueiro português Santa Ana, naufragado nas Astúrias, deverão realizar em breve uma imersão para recolher informação sobre o navio, apesar das condições «muito perigosas do mar».

Dois mergulhadores do Salvamento Marítimo espanhol conseguiram aproximar-se (ficaram a cerca de quatro metros) do pesqueiro, mas devido à pouca visibilidade não conseguiram chegar à embarcação. Fonte do Salvamento Marítimo explicou que devido às más condições do mar uma nova tentativa de chegar ao navio foi adiada para quarta-feira.

A mesma fonte confirmou à Lusa que o objetivo era aproveitar a maré-baixa para tentar chegar o mais próximo possível da embarcação, que se encontra numa posição «muito instável», encalhada em rochas.

«A aproximação ao navio está a ser complicada pelas ondas. Ontem [segunda-feira] realizaram uma imersão mas a 30 metros de distância e as ondas eram tão grandes que os arrastou para próximo do navio», disse a fonte. «Há redes, aparelhos e outro material na água o que torna o mergulho muito perigoso», explicou.

A mesma fonte referiu que o navio está «praticamente na vertical», com parte da proa visível fora de água, e os mergulhadores vão «tentar estudar o navio sem se aproximar demasiado por questões de segurança».

«Prevê-se alguma melhoria nas condições marítimas nos próximos dias. Tudo tem que ser feito com muito cuidado devido à condição do mar», referiu, deixando antever que o acesso ao interior da embarcação pode ainda demorar alguns dias.

A mesma fonte explicou que na zona permanecem duas embarcações do Salvamento Marítimo, uma lancha da Cruz Vermelha e um navio patrulha da Guarda Civil.

Os dois helicópteros que apoiam as operações ainda não descolaram hoje, devido à fraca visibilidade na zona.

Os quatro mergulhadores, apoiados por um técnico de operações especiais, são provenientes da base estratégica do Salvamento Marítimo próximo de A Corunha (Galiza), estando desde segunda-feira na zona de Avilés, nas Astúrias.

O naufrágio causou dois mortos, um português e um espanhol, e estão seis tripulantes desaparecidos (um português, três espanhóis e dois indonésios), tendo sido resgatado com vida o capitão do navio, de nacionalidade espanhola.

Fonte consular disse à Lusa que se estão a ultimar os preparativos para a trasladação do pescador português falecido, Francisco Gomes Fragateiro, para Leça de Palmeira.

As autoridades espanholas consideram que os seis desaparecidos, entre os quais o português Vítor José Farinhas Braga, poderão estar no interior do navio, já que estariam a dormir no momento do acidente, que ocorreu às 05:30 locais (04:30 em Lisboa).

Armando Soares, representante em Portugal do armador do navio, Pescas Balayo, disse à agência Lusa que o naufrágio pode ter sido causado por um baixio.

Entretanto, o município galego de Muros - de onde eram oriundos dois dos tripulantes desaparecidos e o único sobrevivente, para já, da tragédia - decretou três dias de luto oficial.

As vítimas da tragédia foram já identificadas e o funeral do espanhol, cujo corpo foi resgatado na segunda-feira, deverá decorrer na quarta-feira no cemitério da Abelleira, em Muros, segundo informou a autarca local.

O corpo do cozinheiro do navio chegou à sua terra natal, Esteiro, próximo de Muros, durante a madrugada de hoje.

O único sobrevivente, para já, da tragédia, Manuel Simal Sande, de 50 anos e também natural de Muros, recebeu alta esta terça-feira, regressando à Galiza, apurou a Lusa.