Portugal é um dos países da Europa e do mundo onde nascem menos crianças. Por um lado, há uma quebra na natalidade, por outro, um adiamento da parentalidade para mais tarde por motivos profissionais.


O que determina que os portugueses tenham cada vez menos filhos? Essa é a resposta que e a Fundação Francisco Manuel dos Santos, em parceria da TVI com o Instituto Nacional de Estatística procuraram, através de um profundo e extenso inquérito à fecundidade em Portugal. 

A demografia mostra que o povo português não tem garantida a sua sobrevivência a longo prazo e que a esperança de futuro está em causa. "O chapeu de chuva de tudo isto é uma questão política, a falta de polícias globais para a infância", considera o pediatra Mário Cordeiro, para quem a questão da habitação (e os custos que lhe estão associados)  e as creches e infantários.

Mas esta é uma questão transversal a toda a sociedade, que não depende apenas da política. As empresas, por exemplo, que "ferozmente olham para uma mãe que tira a tarde para ir com um filho ao médico, que é quase tratada como uma criminosa absentista", aponta o pediatra.

 

 


 

Os dados do Inquérito à fecundidade dos Portugueses, de 2013, indicam que 51% dos casais querem ter dois filhos, mas apenas 26% realmente conseguem. Entre a parentalidade esperada e a real vai uma distância demasiado grande. Além disto, destaque para o facto de 8% dos casais não quererem ter filhos, dando preferência a outros aspectos que a vida em conjunto lhes proporciona. Dados mais recentes, do Instituto Nacional de Estatística, referentes a 2015, revelam uma pequena inversão nesta tendência, marcando uma interrupção nas baixas consecutivas no número de nascimentos que se verificavam desde 2010: há mais bebés a nascer, mas a maioria já nasce fora do casamento.

 

 

 

Ao longo dos últimos 60 anos, tem diminuido de forma dramática o número de filhos por mulher. As razões financeiras estão no topo das razões para este decréscimo de bébés por mulher, mas não é só isso. O trabalho das mulheres, que lhes deixa pouco tempo para os filhos, é outro dos problemas. Portugal é dos países da União Europeia com a mais pequea taxa de trabalho a tempo parcial, bem abaixo da média.

 

 

A falta de condições financeiras é a razão apontada por 82% dos portugueses para não terem mais filhos. Esta decisão surge neste Inquérito numa altura em que Portugal atravessa dificuldades financeiras, com uma taxa de desemprego alta e debaixo do programa de assistência financeira da troika. Em 2013 era este o cenário, mas 

 

 

Outra das razões apontadas para a diminuição da natalidade é a idade tardia do primeiro filho. Por um lado estão as prioridades dos casais, por outro, a falta de estabilidade laboral no início das carreiras. O resultado do estudo indica que as pessoas com maior grau de escolaridade e rendimentos mais elevados são as que mais adiam o nascimento dos filhos. Prolongam mais a formação académica e chegam mais tarde ao mercado de trabalho. Saem também mais tarde de casa dos pais e, por isso, também pensam mais tarde em formar família. 

 

 

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Num país de mães trabalhadoras, o Inquérito à Fecundidade dos Portugueses conclui que a presença do pai é decisiva quando o casal decide avançar para o segundo e para o terceiro filho. Hoje em dia, os filhos de uma mãe trabalhadora passam mais horas nas creches e infantários do que estas no trabalho. 

 

 

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