A ocupação do Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa, terminou hoje cerca das 10:20, com o abandono das instalações pelo grupo de quase 50 artistas-ativistas e agentes culturais que ocupavam o museu desde as 20:00 de sexta-feira.

Numa conferência de imprensa, sem direito a perguntas, realizada através das grades do Museu do Chiado, o porta-voz do grupo disse, sob anonimato, que decidiram acabar o protesto depois de terem sido «abordados por pessoas do museu».

«Mediante essa abordagem decidimos sair, tendo em conta que foi exercida uma pressão sobre nós que consiste em responsabilizar-nos por possíveis represálias sobre a direção deste museu, em consequência da nossa ação», afirmou o porta-voz do grupo.

Sublinhou ainda que o grupo decidiu «ceder a essa pressão» e ser sensível «à manutenção dos postos de trabalho» dos funcionários do museu.

No exterior do Museu do Chiado, na Rua Serpa Pinto, o diretor do espaço acompanhou o protesto, mas não quis prestar declarações à Lusa.

A «ação artivista» também foi acompanhada por quatro polícias até as grades de ferro do museu se abrirem para o grupo sair.

No final do protesto, o grupo exigiu, entre outras reivindicações, a reposição de entradas gratuitas nos museus aos domingos e uma redução no preço dos bilhetes.

Reivindicou ainda, «conforme recomendado pela UNESCO», que se estabeleça o mínimo de um por cento do Orçamento do Estado para a cultura.

«Estas exigências surgem do descontentamento geral perante a política cultural mercantilista que está a ser aplicada», explicou o porta-voz do grupo.

Para o grupo, o Estado não se pode demitir do seu papel como principal promotor da cultura, «remetendo progressivamente a sua responsabilidade de serviço público para empresas privadas com fins lucrativos».

No final do protesto, Mário, animador sociocultural, disse que esta ação visou alertar para a «falta de respeito do Governo para com o artigo 73 da Constituição», no que se refere «a que todos os cidadãos e cidadãs têm direito à cultura».

Para o animador sociocultural, cabe ao Estado oferecer cultura às pessoas e incentivar a produção cultural. Mas, lamentou, «isto não está a acontecer no nosso país».

Eunice decidiu participar no protesto por considerar que é preciso mobilizar as pessoas para a importância da cultura.

«É importante temos consciência cívica da importância da arte e da cultura e esta ação foi para chamar a atenção para isso», explicou a artista a Lusa.

Sobre a «ocupação artivista», disse que foi «uma etapa», mas que poderão haver mais ações realizadas por «outras pessoas e noutros locais».

A sala de entrada do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (MNAC-MC) foi ocupada ao início da noite de sexta-feira,, tendo os ativistas levado para o museu sacos-cama e realizado uma assembleia que votou pela continuação da sua presença nas instalações.

A ocupação teve início depois do artista Rui Mourão ter incitado os convidados da inauguração da sua vídeo-instalação, no Museu do Chiado, a participar numa ocupação pacífica da instituição.