Populares de Mozelos, no concelho da Feira, manifestaram-se hoje contra a falta de médicos no Centro de Saúde dessa freguesia, após o que a respetiva Junta anunciou para a próxima semana um reforço do pessoal clínico.

Maria Ribeiro é a organizadora da manifestação, que reuniu cerca de 80 pessoas, e admitiu à Lusa que a iniciativa foi motivada pela situação da sua própria família, dado o número de vezes que acorreu ao centro de saúde mesmo antes das 07:00 sem conseguir que lhe passassem exames prioritários.

«A minha sobrinha está grávida de seis meses, por exemplo, e ainda não teve uma consulta com um médico», afirma a sexagenária. «É uma vergonha só termos um médico para mais de 4000 utentes e eu nunca pensei que, nesta idade, ia ter que andar a pedir uma esmola para saúde», refere.

As condições de atendimento no centro vêm-se deteriorando nos últimos anos e Maria Ribeiro diz que «atingiu o limite» quando, na sequência de uma reclamação oficial, recebeu da diretora do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Arouca/Feira, Ana Prata, a resposta de que um segundo médico estaria ausente do serviço devido a problemas de saúde.

«Mas isso é mentira», realça a porta-voz dos manifestantes. «Na Junta de Freguesia verificaram logo tudo, mal eu recebi a carta, e esse médico entrou é na reforma», garante.

O presidente da referida Junta reconhece que a situação vem motivando «muitas reclamações», mas revela que a Administração Regional de Saúde do Norte já anunciou um reforço de dois médicos para o local.

«Não houve tempo de informar ninguém porque só nos comunicaram isso na sexta-feira», argumenta José Carlos Silva. «Mas o que nos disseram é que vão mandar mais dois médicos para cá, até ao fim da primeira quinzena de junho», acrescenta.

Com ironia, Maria Ribeiro afirma que essa informação «veio mesmo a jeito» e avisa que, «só por via das dúvidas», haverá nova concentração de populares para a próxima segunda-feira de manhã.

«Vamos estar lá todos outra vez para dar as boas-vindas aos médicos», promete. «Se eles acabarem por não vir, já lá estamos para fazer barulho outra vez, que não podem é continuar a gozar com a gente e a brincar com os doentes», conclui.

A Lusa contactou às 15h30 a ARS Norte para obter um esclarecimento sobre a situação. Ainda não obteve resposta.