O Tribunal de Santa Maria da Feira condenou hoje a 23 anos de prisão um homem acusado de ter esfaqueado mortalmente o patrão, em 2012.

O coletivo de juízes deu como provado que o escriturário, de 40 anos, matou o administrador da Presdouro, em Santa Maria da Feira, para encobrir um desfalque financeiro de 81 mil euros.

O arguido, que assumiu ser o braço-direito da vítima mortal na empresa, foi condenado a 21 anos de prisão por homicídio qualificado e cinco anos de prisão por abuso de confiança qualificado.

Como cúmulo jurídico, o tribunal fixou-lhe uma pena única de 23 anos de prisão, satisfazendo assim as pretensões do procurador do Ministério Público, que nas alegações finais tinha pedido uma pena «nunca inferior a 20 anos».

O homicida terá ainda de restituir 81 mil euros à Presdouro e pagar uma indemnização no valor de 90 mil euros aos familiares da vítima, além das despesas com o funeral.

Os juízes não deram credibilidade às declarações do arguido, que afirmou que nunca quis matar o patrão, negando ainda ter retirado qualquer dinheiro da empresa.

«O arguido mentiu quanto aos contornos com que descreveu a situação», afirmou o juiz-presidente durante a leitura do acórdão, acrescentando que a morte foi planeada pelo menos dois dias antes do crime.

Durante o julgamento, o arguido contou que o crime aconteceu durante uma discussão entre os dois no final do dia de trabalho, quando se encontravam sozinhos, no gabinete do empresário.

O homicida queixou-se de ter sido agredido pelo patrão com "um murro no peito e pontapés" e, para se defender, espetou no pescoço da vítima uma faca que encontrou no interior de uma gaveta.

O crime ocorreu em maio de 2012, nas instalações da empresa de construção de prefabricados em betão.

Segundo a acusação, o arguido terá decidido matar o patrão, para evitar ser descoberto por causa da apropriação do dinheiro na empresa, «planeando a sua atuação ao pormenor».

O Ministério Público relata que o arguido chegou a deslocar-se à empresa para assistir às manobras de reanimação da vítima, mostrando sempre «um ar chocado, mas calmo».