Um homem acusado de agredir com um murro um vizinho em Matosinhos, em 2016, que viria a falecer 14 dias depois, começou hoje a ser julgado no Tribunal de Matosinhos, onde negou a agressão.

“É mentira, não lhe toquei”, disse o arguido, de 29 anos, ao coletivo de juízes.

Acusado por um crime de ofensas à integridade física agravadas pelo resultado – morte da vítima, o suspeito contou que, na manhã de 11 de julho de 2016, quando vinha dos festejos da vitória de Portugal no Euro 2016, na Avenida dos Aliados, no Porto, onde esteve toda a noite, passou pela casa da vítima, de 68 anos, onde estava a mulher, a filha e um sobrinho que, quando o avistou, o insultou.

Entretanto, acrescentou, chegou a vítima, que tinha ido comprar um jornal, e vinha na sua direção com ar exaltado e, depois de trocarem agressões verbais, caiu ao chão.

Não sei se bateu com a cabeça no chão. Eu depois fui para casa, achei que aquilo tivessem sido nervos”, relatou.

O suspeito adiantou ainda que ele é que foi provocado quando ia para casa e que, a vítima, sem saber do que se passava, veio na sua direção com “passo acelerado e violento”.

Versão diferente apresentou a mulher da vítima que, em lágrimas, referiu que, nessa manhã, o arguido vinha com as sapatilhas na mão e, quando os avistou no pátio de casa, começou a insultar o seu sobrinho.

Entretanto, chegou o meu marido de comprar o jornal e perguntou o que se passava ali, ao que ele lhe deu um muro e caiu no chão inanimado”, disse.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), a 11 de julho de 2016, o arguido, que vinha dos festejos da vitória da Seleção Nacional no Euro 2016, no Porto, começou a discutir com um sobrinho da vítima, quando passava na rua a caminho de sua casa, e quando esta chegou, tentou acalmar os ânimos, mas o arguido deu-lhe um muro.

A vítima, em virtude desse muro, acabou por bater violentamente com a cabeça no chão e, depois de ter sido transportado para o hospital, acabou por morrer 14 dias depois.

O arguido, ao deferir o muro na cara da vítima, podia e devia ter previsto a possibilidade de o mesmo vir a sofrer de lesões que lhe viessem a causar a morte”, sustentou a acusação.

A família da vítima pede ao arguido uma indemnização de quase 175 mil euros.