Um antigo empresário de leitões da Bairrada, de 46 anos, acusado de ter matado a tiro um seu concorrente, em 2008, confessou esta terça-feira no Tribunal de Anadia o crime, alegando ter agido em legítima defesa.

«Fui para resolver um problema. Não queria tirar a vida a ninguém», disse o homicida na primeira sessão do julgamento, adiantando que, momentos antes do disparo, a vítima mortal o tinha ameaçado de morte juntamente com a sua filha, acusando-o de não querer pagar uma suposta dívida de dez mil euros.

O arguido, que se encontra em prisão preventiva, relatou ao tribunal que a vítima mortal se exaltou e disse que matava a sua filha e o matava já ali, fazendo de seguida um gesto para o lado do passageiro, que achou que seria para pegar uma arma

«Fiquei fora de mim. Só tive o impulso de apanhar a arma que estava em cima do banco de passageiros e dei um disparo. Eu nem sei quem disparou. Fiquei sem sangue», disse o arguido, adiantando que, após o disparo, meteu o carro a trabalhar e saiu dali.

O homem, que responde por um crime de homicídio qualificado e outro de detenção de arma proibida, regressou a casa já de noite e procurou obter informações sobre o estado de saúde do seu concorrente, mas só ficou a saber que aquele tinha falecido na manhã seguinte.

Depois do crime, o arguido referiu que andou sem rumo, apanhou uma boleia para o Alentejo e dali passou para Espanha e seguiu para França, antes de viajar para Cabo Verde, onde foi localizado em 2013, sendo depois extraditado para Portugal para ser julgado.

O arguido afirmou ainda que não devia nenhum dinheiro ao seu rival, acrescentando que chegou a ser contactado por uma pessoa que dizia ter sido contratada pela vítima mortal para cobrar a suposta divida, que ameaçou de morte a sua filha.

«Fiquei inconformado. Isto era uma coisa do outro mundo», disse, adiantando que chegou a temer pela sua vida, porque sabia que o seu rival no ramo do comércio de leitões «andava sempre com armas de fogo e por tudo e por nada puxava da arma».

O caso remonta a 6 de março de 2008, quando os dois homens se encontraram na rua principal de Alpalhão, em Anadia.

O arguido é suspeito de matar o seu rival no ramo do comércio de leitões para evitar pagar uma dívida de dez mil euros que tinha para com a vítima, na sequência de um negócio entre ambos.

Segundo o despacho de acusação do Ministério Público (MP), a vítima mortal encontrava-se naquele local, dentro do seu carro, à espera de um individuo que lhe devia dinheiro, quando o suspeito chegou e parou a sua viatura, em sentido contrário.

Na ocasião, gerou-se uma discussão entre os dois homens, tendo o arguido, a dado momento, sacado de uma arma de fogo e disparado um tiro em direção à cabeça da vítima, que teve morte quase imediata.

Segundo a acusação, o arguido agiu por "avidez" e "com frieza de ânimo", procedendo à limpeza das armas que possuía na manhã do crime e aproveitando o conhecimento do paradeiro da vítima no dia e hora em que desferiu o tiro fatal, atuando assim em circunstâncias que revelam especial censurabilidade.

A família da vítima, que tinha 29 anos, pede uma indemnização de 235.000 euros.