O Presidente da República condecorou, esta terça-feira, a equipa que salvou o bebé nascido de uma mãe em morte cerebral, agradecendo a dedicação dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde, que é independente do estatuto profissional, "por muito importante que seja".

As pessoas não estão aqui - por muito importante que seja o estatuto profissional, e é - por causa do estatuto profissional. As pessoas não estão aqui por causa do conceito social, não estão aqui por causa da publicidade daquilo que fazem", defendeu o chefe de Estado, num discurso de defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e de elogio dos seus profissionais.

Numa cerimónia em que esteve presente o ministro da Saúde, Marcelo Rebelo de Sousa condecorou a unidade de cuidados intensivos neurocríticos do Hospital de São José, em Lisboa, que salvou há mais de um ano um bebé que se desenvolveu no corpo de uma mãe que estava em morte cerebral, e a essa condecoração quis imprimir um "alerta" para o egoísmo de quem agradece apenas o seu caso particular.

Não foi apenas um testemunho de gratidão a uma equipa alargada, multidisciplinar, foi um alerta, uma chamada de atenção, para nós, que tantas vezes somos egoístas e verdadeiramente só agradecemos quando se trata do nosso caso, no momento que entendemos adequado, da forma que consideramos que é a justa."

Assim, sublinhou, as pessoas deverão "olhar um bocadinho para os outros" e considerar "que aqueles que conseguiram fazer aquilo que alguns consideraram o milagre do Lourenço, fazem todos os dias esses milagres".

No entanto, nós não vos agradecemos todos os dias. Como Presidente da República estou aqui para agradecer esses muitos milagres de todos os dias."

O Presidente da República ressalvou que atualmente tem "muito cuidado" no apelo aos consensos, para "não ser acusado mais tarde de não ter conseguido por de pé ou ajudar a concretizar consensos que haveria desejado", mas reiterou a sua importância na saúde.

Também no domínio da saúde todos percebemos que é muito importante a convergência e que começa em todos os portugueses e todas as portuguesas, independentemente das suas preferências de outra ordem, aceitando que não há sociedade verdadeiramente desenvolvida que não tenha na saúde uma prioridade fundamental."