A morte de cerca de uma centena de ovelhas na freguesia de Paialvo, concelho de Tomar, está a gerar um enorme mistério nesta localidade. 

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) afastou esta sexta-feira a hipótese de os ataques se deverem a um lince ibérico, que tinha sido colocada por populares depois da notícia do atropelamento de um animal desta espécie na Autoestrada 23.

Em comunicado, o ICNF afirma que, em articulação com o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR, se encontra a avaliar a tipologia e dimensão das ocorrências naquele local, onde, em 15 dias, terão aparecido 100 ovelhas mortas.

“De acordo com os registos fotográficos e verificação 'in loco' dos vestígios encontrados no terreno, o ICNF afasta, desde já, a possibilidade de se tratar de ataque de lince ibérico, por comparação entre a tipologia dos ataques que se verifica na região de Tomar e a predação sobre cervídeos (presas selvagens) que esporadicamente ocorre na área de reintrodução de lince ibérico, em Mértola”, refere a nota.

Segundo o ICNF, as lesões observadas, “generalizadas e com múltiplas fraturas, particularmente dos ossos do crânio”, são “eventualmente provocadas por um cão ou outro animal de grande porte”.

Os linces, quando caçam presas selvagens de grandes dimensões, “visam apenas a região do pescoço, provocando a morte da presa por asfixia através do bloqueio da traqueia”, e “abatem apenas um único animal que vão consumindo ao longo de vários dias, mantendo-se nas suas proximidades e enterrando a carcaça para evitar que outros animais, tais como raposas, a consumam”, acrescenta.

O ICNF adianta que mantém um acompanhamento próximo e uma avaliação contínua da situação, de forma a tentar identificar definitivamente o animal ou animais envolvidos.

O presidente da Junta de Freguesia de Paialvo, Luís Antunes, disse à Lusa que já morreram bem mais do que cem ovelhas, descartando a possibilidade de o animal atacante ser um cão, uma vez que ocorreram casos em zonas cercadas em que não é possível a passagem ter ocorrido por baixo da cerca.

“O SEPNA levou pelo que encontrámos no arame farpado de uma cerca com mais de um metro de altura. Não pode ter sido um cão.”


Luís Antunes sublinhou que nunca foram avistados lobos na zona e que, a serem raposas, é estranho que nunca tenham atacado patos e galinhas que andam livremente pelos quintais.

Alguns dos ataques ocorreram dentro de povoações, “entre casas”, em locais com iluminação pública, e geralmente “sobre a madrugada”, o que faz com que as pessoas tenham receio de andar na rua à noite, afirmou.

“Há sítios em que houve ataques mais do que uma vez”, disse, adiantando que estes se têm registado num grande raio de ação, com ocorrências em Paialvo e em Peralva, que distam cerca de sete quilómetros.

“Há mesmo quem ponha a hipótese de ser um animal feroz que alguém tinha em casa e deixou escapar”, especulou, na expectativa de que os técnicos consigam rapidamente encontrar o responsável pelos ataques.