O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, afirmou que "se não chover", o próximo passo para fazer face à seca que afeta drasticamente a Barragem de Fagilde, no distrito de Viseu, é levar até esta barragem água do sistema de Castelo de Bode, por via ferroviária, algo que nunca aconteceu na História do país. O governante esteve esta terça-feira na 21.ª Hora da TVI24, num momento em que 94% do território português é afetado pela seca extrema.

A possibilidade de transferir água a partir do sistema de Castelo de Bode, mais exatamente da estação ferroviária do Entroncamento, para Mangualde, é o passo seguinte se entretanto não chover e não conseguirmos ter uma maior estabilidade naquele que é o abstecimento de Fagilde a Viseu, Mangualde e Nelas”, disse João Matos Fernandes. 

João Matos Fernandes explicou que “o sistema de Castelo de Bode, que é o sistema da EPAL, que abastece Lisboa e os concelhos vizinhos de Lisboa” é “um dos últimos redutos de água que temos”, tal como também é, por exemplo, o Alqueva.

O ministro do Ambiente afirmou que, nesse cenário, o transporte será por via ferroviária pois “do ponto de vista ambiental seria uma tolice fazer por via rodoviária uma distância tão grande”.

O governante reconhece que a situação que se vive no país "é inédita", recordando que em 2005 o país "chegou a setembro com condições parecidas", mas que, ao contrário do que aconteceu este ano, outubro foi um mês chuvoso. E sublinhou que só dois, três meses chuvosos a partir daqui podem sanar boa parte do problema.

Chegámos a um ponto em que as albufeiras estão de facto muito baixas; se tivermos dois, três meses chuvosos a partir daqui o problema fica sanado em muito boa parte.”

Para já, a Barragem de Fagilde é o caso mais preocupante e aqui já foi montada uma megaoperação de transporte de água que envolve mais de 50 camiões-cisterna. O ministro disse que Fagilde tem água para cerca de um mês e, nas outras situações mais graves, como é o caso da Barragem do Monte da Rocha, no Alentejo, os sistemas têm água para dez meses.  

“O primeiro passo é este de Fagilde, que estamos com cerca de um mês à nossa frente; depois, para as outras que são mais preocupantes, estou a pensar no Monte da Rocha no Alentejo, por exemplo, cerca de dez meses, depois em sistemas como o Alqueva e Castelo de Bode, não há problema assim preocupante.” 

Ainda assim, João Matos Fernandes acredita que o país vai ultrapassar o problema "sem alarmes e sem racionamento". Até porque, vincou, o racionamento pode ter um efeito contrário ao pretendido, que é a poupança da água.

"Acredito que vamos ultrapassar isto sem alarmes e sem racionamento. O racionamento tem problemas. O racionamento provoca o encher das banheiras lá em casa. (...) Não devemos partir para alarme nenhum pois muitas vezes as pessoas não reagem a pensar nos outros, mas nelas próprias, o que também não é de estranhar."

O governante apelou a um esforço conjunto, que envolva autarquias, entidades privadas e os próprios cidadãos, para poupar um recurso que "ainda temos".

"Temos de fazer um esforço muito grande para poupar um recurso que ainda temos. (...) Mesmo quando o problema da seca se resolver continuará a ser uma tolice não fazer um uso muito cuidadoso da água que temos", concluiu.