O Ministério Público requereu o julgamento de uma rede de seis arguidos acusados dos crimes de associação criminosa, casamentos por conveniência e de falsificação de documentos, indicou esta quarta-feira a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL).

Segundo a PGDL, ficou indiciado que os três principais arguidos realizaram um plano criminoso de ação concertada com o fim de organizar casamentos entre cidadãs portuguesas e homens oriundos de países fora da União Europeia, mediante o pagamento «de avultadas somas em dinheiro».

Os casamentos tinham como objetivo regularizar a permanência no espaço europeu, adianta a PGDL, referindo que os matrimónios ocorreram, num primeiro momento, em Portugal, mas posteriormente passarem a realizar-se no Reino Unido, França e Dinamarca.

Segundo o MP, a organização possuía elementos baseados no Reino Unido e em França, desempenhando cada um dos arguidos «um papel concreto imprescindível na prossecução dos objetivos criminosos desta organização».

Alguns dos arguidos encarregavam-se de recrutar mulheres portuguesas que estivessem dispostas a casar em Portugal ou no estrangeiro, comunicando-lhes quais os documentos necessários e onde os deviam apresentar, designadamente nos países onde os cidadãos se pretendiam legalizar.

Estes arguidos recebiam uma remuneração por esta atividade de recrutamento e funcionavam como os interlocutores das mulheres portuguesas, perante os arguidos principais, adianta a PGDL.

Outros arguidos dedicavam-se «a forjar todo o processo necessário à legalização» dos imigrantes em países da União Europeia, e mantinham contacto com os membros da organização baseados no estrangeiro, que os elucidavam sobre as características particulares das portuguesas.

A PGDL refere também que os arguidos se «articulavam com sucesso através dos novos meios de comunicação e faziam transferências monetárias avultadas através de duas agências existentes no mercado».

A organização era baseada no Reino Unido e em França, mas o líder da organização encontrava-se em Portugal, de onde fazia a coordenação internacional.

De acordo com o MP, a atividade dos arguidos foi desenvolvida de forma regular e prolongada entre 2008 e 2012, tendo a organização retirado «proveitos económicos muito elevados».

Os três principais suspeitos estão em prisão preventiva desde novembro de 2012.