Trabalhadores da concessionária da mina de Neves-Corvo, no concelho de Castro Verde, distrito de Beja, iniciam esta segunda-feira mais uma greve de cinco dias pelo fim do regime de laboração contínua no fundo do complexo mineiro.

A greve, que começou às 06:00, pouco mais de um mês após a anterior, e termina no sábado às 06:00, serve também para os trabalhadores reivindicarem a "humanização" dos horários de trabalho, antecipação da idade da reforma dos funcionários das lavarias, progressão nas carreiras, revogação das alterações unilaterais na política de prémios e o "fim da pressão e da repressão sobre os trabalhadores".

No dia 18 de outubro, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM) e a administração da Somincor reuniram-se e, no final do encontro, o primeiro depois da greve realizada entre os dias 3 e 7 daquele mês, os sindicalistas entregaram o pré-aviso da nova paralisação que começa esta segunda-feira.

Em declarações à agência Lusa, após a reunião, o dirigente do STIM Jacinto Anacleto disse que a administração da Somincor "continua intransigente e não está interessada em negociar" as revindicações dos trabalhadores.

Na reunião, "não houve qualquer tipo de abertura" da administração para "negociar" e, por isso, o STIM "não teve outra hipótese senão a de entregar um novo pré-aviso de greve", tal como os trabalhadores da Somincor tinham decidido num plenário no passado dia 17 de setembro, disse.

No plenário, que decorreu na sede do STIM, na vila de Aljustrel, também no distrito de Beja, os trabalhadores decidiram fazer a greve entre os dias 3 e 7 de outubro e, caso as repostas da administração da Somincor às suas reivindicações continuassem "a não ser favoráveis", mais cinco dias de greve este mês e outros cinco em dezembro, lembrou Jacinto Anacleto.

No dia 19 de outubro, num comunicado enviado à Lusa, a Somincor, que pertence ao grupo sueco-canadiano Lundin Mining, lamentou a convocação de mais uma greve e reafirmou estar aberta ao diálogo com os trabalhadores e o sindicato dos mineiros.

A Somincor referiu que vai continuar a dialogar com os trabalhadores e os seus representantes "com vista à resolução desta situação" e frisou que a sua "prioridade" é garantir "condições seguras e com o mínimo de interrupções a todos os colaboradores que queiram trabalhar" durante a greve.