O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa decretou esta sexta-feira a prisão preventiva de um militar da Guarda Nacional Republicana e a suspensão de funções de outros elementos, detidos na quarta-feira, no distrito de Santarém, indiciados por corrupção.

Os quatro militares, colocados no posto da GNR de Samora Correia, mais quatro civis, foram detidos por suspeitas de corrupção, furto, burla, peculato e fraude fiscal, no âmbito de um inquérito criminal tutelado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, envolvendo o negócio ilícito de metais não preciosos.

Os arguidos foram presentes a primeiro interrogatório judicial, na quinta-feira e hoje, tendo o juiz de instrução criminal aplicado a medida de coação mais gravosa, a prisão preventiva, a um dos militares e a suspensão do exercício de funções aos outros três, informou a GNR, em comunicado.

Os quatro civis saíram em liberdade, sujeitos ao Termo de Identidade e Residência, com a obrigação de apresentação duas vezes por semana no posto policial da área da residência.

Na quarta-feira, a GNR informou, em comunicado, que a Unidade de Ação Fiscal daquela força de segurança realizou na manhã desse dia dez buscas domiciliárias e oito não domiciliarias na área de Samora Correia, distrito de Santarém.

Na ocasião, fonte policial disse à agência Lusa que os quatro militares detidos prestavam serviço no posto da GNR de Samora Correia, acrescentando que a investigação decorria «há vários meses».

Durante a operação denominada «Hydra», foram apreendidos 5.490 quilos de metais não preciosos (inox e alumínio), duas armas de fogo, uma arma branca e seis viaturas.

Houve ainda a apreensão de vários documentos de identificação falsa, 12 computadores portáteis e outro material informático, diversos telemóveis e sistemas de videovigilância e carimbos de empresas.

«Estima-se em cerca de 330.000 euros o valor da mercadoria apreendida e furtada ao longo do tempo em que decorreu o processo de investigação», informa a GNR, num comunicado hoje divulgado.

No caso dos quatro militares, a GNR referiu que a nível interno da instituição será aberto «o competente procedimento disciplinar».