O sistema de bilhética Andante, adotado em operadores como o Metro do Porto, pode ser usado no telemóvel a partir de abril, dispensando cartões, dinheiro e “otimizando o tarifário” pago pelo cliente.

Criado pela Transportes Intermodais do Porto (TIP), a aplicação “Anda” é um título “Andante” desmaterializado, que evita preocupações com o tipo de viagens a comprar, no início do mês ou a cada deslocação, porque o sistema “atribui a cada passageiro o tarifário mais favorável”, enviando-lhe a fatura para casa, explicou aos jornalistas esta segunda-feira, José Mendes, secretário de Estado Adjunto e do Ambiente.

Apenas disponível para smartphone [sistema Android], o “Anda” pode ser usado no Metro do Porto, nos autocarros da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), na CP e em operadores privados da Área Metropolitana do Porto.

Nas Áreas Metropolitanas há tantos tarifários que é difícil às pessoas conseguirem perceber qual o que lhe é mais favorável, até porque muitas não conseguem, no início do mês, antecipar as necessidades que vão ter. Com este sistema de bilhética desmaterializado, o próprio sistema aplica ao cliente o tarifário que lhe é mais favorável”, esclareceu o secretário de Estado Adjunto e do Ambiente.

Para o governante, “isto significa trazer mais pessoas para o transporte público”.

As pessoas não precisam de se preocupar em definir, no inicio do mês, qual o cartão que vão comprar. E isto pode mesmo significar poupança, porque o preço apresentado é sempre o preço mínimo para cobrir as deslocações que a pessoa efetuou”, esclareceu João Marrana, administrador delegado da TIP (entidade formada pelo Metro, STCP e CP e que gere o sistema de bilhética Andante).

O responsável assegura que, com o “Anda”, os passageiros “podem fazer as viagens que quiserem com a garantia de que, no fim do mês, pagam o valor mínimo”.

Poupança nos transportes

João Marrana apontou como exemplo um cliente com passe mensal de 30 euros que, excecionalmente, precise de se desviar da rota habitual para se deslocar algumas vezes ao hospital de São João: com o atual modelo, o passageiro pagaria 39,70 euros, mas com o sistema “Anda”, as mesmas viagens ficariam por 36 euros.

O responsável acrescentou que, apesar de várias diligências, ainda “não é possível desenvolver a tecnologia NFC para IPhone”, mas alertou que, atualmente, os smartphones representam “dois terços da utilização do sistema” de informação horária sobre os transportes em tempo real”.

De acordo com a TIP, o Anda é a primeira aplicação de telemóvel “capaz de otimizar o tarifário mensal apresentado a cada cliente”, representando uma “enorme evolução no sistema de bilhética, a nível nacional e europeu”.

Mensalmente, a aplicação analisa o registo de viagens efetuadas e, através de um algoritmo altamente rigoroso, apresenta a solução tarifária mais económica e vantajosa para o cliente”, assegura a TIP.

O sistema surgiu por iniciativa da TIP “em estreita colaboração com os operadores de transportes e a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto”.

A aplicação “apenas está disponível na Google Play, pelo que é indispensável a utilização de um telemóvel com sistema operativo Android”, para além de que “versões anteriores ao Android 5.0 não estão preparadas para suportar” o sistema.

O aparelho deve ainda “estar apto a estabelecer uma comunicação em Near Field Communication (NFC) com os validadores do Andante, registando as mensagens Bluetooth Low Energy (BLE)” transmitidas pelos aparelhos que estão a ser instalados nos veículos e validadores.

Cada cliente pode consultar o seu histórico de utilizações e custos associados.

Metro cresce

O secretário de Estado do Ambiente assegurou entretanto que “em 2022” o Metro do Porto terá “mais 5,7 quilómetros e sete estações”, com a conclusão da linha Rosa, no Porto e o prolongamento da linha Amarela em Vila Nova de Gaia.

Seguramente em 2022 teremos mais 5,7 quilómetros de Metro do Porto e mais sete estações”, afirmou José Mendes, secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, em declarações aos jornalistas no Porto, após a assinatura dos contratos de elaboração dos projetos relativos à extensão das linhas daquele transporte.

De acordo com o governante, a perspetiva é ter os projetos das duas linhas concluídos “entre outubro e dezembro”, lançando então o concurso da empreitada, que se espera adjudicar “no início de 2019” para começar a obra “entre abril e junho” do mesmo ano”.

O secretário de Estado acrescentou que 24 meses é o prazo estimado para a construção da linha Rosa (G), que vai fazer a ligação entre São Bento, Cordoaria/Hospital de Santo António, Galiza/Centro Materno-Infantil e Casa da Música/Rotunda da Boavista, no Porto.

Quanto ao prolongamento a sul da Linha Amarela, compreende a ligação de Santo Ovídio a Vila d’Este, em Gaia, numa extensão de 3,2 quilómetros e incluindo três novas estações.

Acredito que aos 145 milhões de passageiros que usaram em 2017 o sistema de bilhética Andante (5,4% de acréscimo na procura) e aos mais de 60 milhões transportados em 2017 pelo Metro possamos acrescentar mais bastantes mais viagens”, afirmou o secretário de Estado.

Segundo o governante, esta operação deve servir para transportar “mais 33 mil pessoas, o equivalente “a uma cidade média”.

O transporte público em Portugal é absolutamente central, razão pela qual estamos também apostadíssimos nos apoios ao nível do tarifário e incentivos fiscais”, acrescentou José Mendes.

Arquitetos e contratos

De acordo com os contratos assinados esta segunda-feira, o projeto da Linha Rosa (G) foi adjudicado ao consórcio formado pela SENER, CJC e NSE, por 1,82 milhões de euros.

O prolongamento da Linha Amarela (D) foi adjudicado às empresas LCW, Amberg Engineering e GRID, por 1,47 milhões de euros.

A Metro do Porto assinou também o contrato para a elaboração das quatro estações subterrâneas da Linha Rosa.

O documento foi assinado pelo arquiteto Eduardo Souto Moura, que terá de desenhar três das estações (rotunda [Boavista], praça da Galiza e Carregal/Hospital de Santo António), ao passo que o arquiteto Siza Vieira terá a cargo a estação da Praça da Liberdade.

Souto Moura disse estar “mais preocupado” com a estação do jardim do Carregal”, porque “não queria cortar árvores”.

O arquiteto vincou que lhe agrada trabalhar para a Metro do Porto, porque “para além de resolver problemas de mobilidade, muda a cidade”.

É um bom motivo para se fazer jardins, praças, para mudar os pavimentos ou a iluminação. É uma oportunidade única que, se não fosse o metro, não se fazia”, disse.

Souto Moura indicou ainda querer “estudar muito bem a resistência das estações”, porque as existentes “têm resistido muito bem a um uso brutal de milhares de pessoas”.

Não estou muito preocupado com a estética. Estou mais preocupado em que metro do Porto continue a ter este aspeto limpo e agradável, o que demonstra que a população tem afetividade por ele”, notou.

O valor de referência para os projetos destas duas linhas era de 4,7 milhões de euros (2,6 milhões de euros para a Rosa e 2,1 milhões de euros para a Amarela), mas as propostas vencedoras totalizam menos 1,4 milhões, estando orçadas em cerca de 3,3 milhões de euros.