O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS), afeto à CGTP, acusa o grupo que gere o Hospital de Cascais de impor ao pessoal "um Regulamento Interno de utilização e conservação do fardamento e cacifo que é um exemplo escandaloso de prepotência e de militarização da vida hospitalar".

De acordo com o comunicado do sindicato enviado à TVI24, o "grupo privado aprovou, com a data de 16/10/2017, o referido regulamento" que, para os médicos, "a par de medidas do senso comum a nível de higiene e de aspetos vulgares do fardamento, surgem medidas chocantes que revelam conceções de puro totalitarismo a lembrar países onde imperam os fundamentalistas religiosos".

A maquilhagem deve ser discreta, o baton e sombras em cores nude, base, lápis e rímel adequados à fisionomia de cada pessoa", é um dos exemplos que o sindicato retira do referido regulamento, a par do uso de "“rabo de cavalo” se o comprimento do cabelo está abaixo dos ombros", de desodorizante  que "não deve ter cheiro" e do "perfume deve ser leve, fresco e agradável para não incomodar os utentes".

Além destes exemplos, o sindicato realça ainda outras recomendações de indumentária, como sejam a proibição de usar "chinelos, sandálias e botas", tal como "piercings, joias, tatuagens de qualquer tipo em locais visíveis do corpo", ou "peças de roupa que não pertençam ao fardamento".

Os homens colocados nas receções devem, entre outras coisas, usar meias lisas e discretas, de preferência azuis escuras", cita o sindicato dos médicos, acrescentando que o Hospital de Cascais impõe ainda que, as "mulheres colocadas na receção devem usar a as saias à altura do joelho, collants em tom natural ou azul escuro, camisa abotoada ao nível do peito e só poderão usar joias simples e discretas em quantidade reduzida, e os brincos terão de ser curtos e junto à orelha".

Custos de arranjos na farda

O sindicato dos médicos acusa ainda o Hospital de Cascais de imputar "custos de «arranjos necessários para adaptação à estrutura de cada pessoa» ao trabalhador", no que respeita à farda de trabalho.

A este estranho facto, acresce toda a burocracia no pedido de uma farda antes do seu «período de vida útil» (24 meses) e a obrigatoriedade da limpeza ser feita pelos trabalhadores e não pelos serviços do hospital", acrescenta o comunicado.

Segundo as acusações do SMZS, "o incumprimento do regulamento, que obriga os trabalhadores a um procedimento burocrático, imputando-lhes toda a responsabilidade da utilização da bata ou de traje de trabalho, favorece uma política de descriminação de género e de fisionomia, implicando um procedimento disciplinar".

Considerando que "o conjunto de medidas referidas revela uma atitude política e gestionária de militarização do local de trabalho", o sindicato exige "aos poderes legalmente estabelecidos a imediata anulação deste tipo de chantagem e assédio nos locais de trabalho", garantindo .que irá "acionar todas as diligências legais para impedir que aquele Hospital se transforme em caserna militar".

Resposta

A TVI24 contatou já o Hospital de Cascais para obter uma reação. Sendo encaminhada para a empresa responsável pela comunicação da unidade de saúde, enviou um conjunto de questões, para as quais ainda aguarda resposta.

Posteriormente, foi possível apurar que o "Hospital de Cascais não presta quaisquer declarações sobre o assunto".