A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) estima que a adesão à greve dos médicos esteja, esta terça-feira, a rondar os 90 por cento a nível médio nacional.

Num comunicado distribuído às redações, o Ministério da Saúde escusou-se a dar informação sobre a adesão à greve, lembrando: «os únicos dados rigorosos sobre a participação na paralisação são os que resultam do processamento salarial deste mês, pelo que se revela necessário aguardar alguns dias pelo apuramento a realizar por todos os serviços, hospitalares e outros».

O Ministério da Saúde adianta ainda que as estimativas avançadas pela FNAM revelam «uma impossibilidade aritmética pelo simples facto de que há uma parte dos médicos, os que trabalham nos sectores privado e social, que não faz greve».

Mário Jorge Neves, dirigente da FNAM, disse aos jornalistas que há serviços e unidades de saúde nos quais os valores de adesão à greve estão a ser superiores aos da paralisação de há dois anos.

«O Ministério da Saúde não consegue apagar a realidade dos factos, os hospitais e os centros de saúde estavam desertos, às moscas», declarou o dirigente sindical, que participa na concentração junto ao ministério, em Lisboa, e que junta várias dezenas de clínicos.

Mário Jorge Neves está convicto de que a generalidade dos cidadãos compreende e apoia esta greve, salientando que o protesto visa defender os interesses socioprofissionais, ao mesmo tempo que defende o Serviço Nacional de Saúde.

A publicação do código de conduta ética, a que os médicos chamam «lei da rolha», a reforma hospitalar, o encerramento e desmantelamento de serviços, a falta de profissionais e de materiais e a atribuição de competências aos médicos, para as quais não estão habilitados, são os principais motivos na base da convocação desta greve.

O protesto, que começou às 00:00 de hoje e decorre até às 24:00 de quarta-feira, foi convocado pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e conta com o apoio da Ordem, de várias associações do setor e também de pensionistas e doentes.

Apesar do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) não ter aderido a este protesto, Mário Jorge Neves disse que há elementos daquela estrutura sindical que estão presentes na concentração junto ao Ministério da Saúde.