Cerca de metade dos médicos dos hospitais de Évora e de Portalegre aderiu esta terça-feira ao primeiro de dois dias de greve nacional dos clínicos, segundo fontes sindicais e das administrações hospitalares contactadas pela agência Lusa.

Em Évora, a adesão ao protesto no Hospital do Espírito Santo (HESE) foi de 50%, até ao início da tarde, disse à Lusa fonte do gabinete de comunicação da unidade hospitalar.

A mesma fonte admitiu que a paralisação «teve um impacto significativo» no hospital, mas realçou que «todos os serviços estão garantidos».

No Hospital de Portalegre, a adesão à greve também ronda os 50% neste primeiro dia, afirmou à Lusa Hugo Capote, do Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS).

O bloco operatório daquela unidade hospitalar «só está a funcionar para urgências», explicou o representante sindical, exemplificando ainda que «há consultas que não se estão a realizar».

Contactada pela Lusa, fonte da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA), que integra os hospitais de Portalegre e de Elvas, referiu que a adesão à greve no conjunto destas duas unidades ronda os «40%».

Todos os serviços destes dois hospitais, frisou a fonte da ULSNA, estão a funcionar com «normalidade».

Ainda no Alentejo, mas em Beja, a Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo escusou-se a revelar dados e foram infrutíferas as tentativas efetuadas pela Lusa junto do sindicato para obter números de adesão ao protesto.

Entretanto, num comunicado enviado às redações, o Ministério da Saúde diz que não vai dar informação sobre a adesão à greve, frisando que «vai evitar quaisquer guerras de números» e que o mais importante é «garantir a normalidade possível dos serviços, ao nível das consultas e das cirurgias programadas».

A publicação do código de conduta ética, a que os médicos chamam «lei da rolha», a reforma hospitalar, o encerramento e desmantelamento de serviços, a falta de profissionais e de materiais e a atribuição de competências aos médicos, para as quais não estão habilitados, são os principais motivos na base da convocação desta greve.

O protesto, que começou às 00:00 desta terça-feira e decorre até às 24:00 de quarta-feira, foi convocado pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e conta com o apoio da Ordem, de várias associações do setor e também de pensionistas e doentes.

Esta é a segunda greve que o ministro Paulo Macedo enfrenta em dois anos. Ao contrário da greve de 2012, a atual paralisação não tem a participação do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), que, no dia em que foi anunciada esta forma de luta, explicou que não aderia.