O Observatório Português dos Sistemas de Saúde quer medidas concretas para reduzir o consumo de antibióticos, sugerindo que, nalguns casos, o médico só os possa prescrever após identificar a causa da infeção.

Houve uma melhoria na situação nos últimos anos, mas continuamos a ter um consumo de antibióticos que é superior a muitos países europeus”, referiu à agência Lusa, Aranda da Silva, um dos coordenadores do Relatório da Primavera 2017 do Observatório dos Sistemas de Saúde.

Um estudo, que integra o relatório a apresentar esta quarta-feira em Lisboa, pretende caracterizar o consumo de antibióticos entre 2004 e 2014 em Portugal e mostra que há grandes variedades regionais, havendo zonas em que a situação está mais controlada.

Tem a ver com informação que os próprios profissionais de saúde têm, nomeadamente os médicos, quando prescrevem antibióticos. E uma utilização muito exagerada de antibióticos de largo espectro, o que pode ser perigoso em termos de resistência”, comentou Aranda da Silva.

O consumo absoluto de antibióticos, ajustado à população residente, decresceu em Portugal de 2004 para 2014, mas identificou-se uma tendência de crescimento de consumo de antibióticos de largo espectro, que atuam numa grande variedade de bactérias.

É sugerido que as resistências aos antibióticos podem ser influenciadas não apenas pelo consumo absoluto, mas também pela toma desses antibióticos de largo espectro.

O Observatório sugere assim medidas para melhoras a informação sobre prescrição e uso de antibióticos, bem como medidas administrativas para restringir os de largo espectro.

Segundo Aranda da Silva, uma das propostas é a de “exigir que sejam prescritos esses antibióticos [nalguns casos] só depois de identificada a causa da infeção”.