O presidente da associação de lares privados defendeu hoje que os médicos das instituições devem fazer regularmente a revisão da medicação dos idosos, mas admitiu que é difícil devido ao estado débil em que estes chegam aos lares.

Os médicos das instituições «devem fazer a revisão da terapêutica periodicamente, mas as pessoas vêm tão doentes e incapacitadas que, muitas vezes, não há muito como mexer na medicação dos idosos», disse o presidente da Associação de Apoio Domiciliário dos Lares e Casas de Repouso de Idosos (ALI).

João Ferreira de Almeida comentava à agência Lusa um estudo do Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz, hoje divulgado hoje pelo Público, segundo o qual os idosos institucionalizados tomam muitos medicamentos, alguns inadequados ao seu estado de saúde.

Os investigadores analisaram exaustivamente a medicação de 126 idosos a residir em três lares das regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Alentejo e concluíram que cerca de um sexto dos 1.315 fármacos receitados diariamente foram identificados como «potencialmente inadequados» e, em média, cada idoso tomava dois remédios que não faziam sentido tendo em conta o seu estado de saúde e a sua idade.

No total, três quartos destes idosos estavam a tomar medicamentos potencialmente inadequados. Em média, cada um deles sofria de mais de quatro patologias e tomava mais de dez medicamentos por dia, havendo um idoso a quem tinham sido receitados 28 remédios.

«Não tenho muita dúvida de que este panorama é capaz de ser generalizado», disse à Lusa o presidente da ALI.

João Ferreira de Almeida explicou que todos os lares licenciados têm médico, que «supostamente devem fazer a revisão terapêutica periodicamente».

Este panorama há cinco ou dez anos já era mau, mas «não tão mau» como agora, devido ao estado em que os idosos chegam às instituições, disse o presidente da ALI.

«Os idosos estão a chegar aos lares cada vez com mais idade, cada vez com mais doenças, cada vez com mais incapacidade e, portanto, não será talvez de admirar muito esta situação», reiterou.

Outra das conclusões do estudo foi a elevada percentagem de casos (45,8%) em que se detetou a duplicação de medicamentos com o mesmo princípio ativo e da mesma classe terapêutica, como foi o caso dos antidepressivos e dos ansiolíticos.

Para João Ferreira de Almeida, é uma situação que «não se deve passar», mas - sublinhou - muitos idosos já levam essa medicação quando chegam ao lar.

«Os antidepressivos, na grande maioria dos casos, não são introduzidos no lar», sustentou.

Contactado pela Lusa, o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), Lino Maia, explicou que os idosos institucionalizados nas Instituições Particulares de Solidariedade Social têm «um acompanhamento médico muito grande».

Os idosos são acompanhados pelos médicos que apoiam os lares, mas também pelos médicos de família dos respetivos centros de saúde, adiantou o padre Lino Maia.

A medicação é sempre receitada e acompanhada, acrescentou.