O Tribunal Judicial de Vila do Conde determinou hoje a suspensão de funções da diretora pedagógica e de três funcionários do polo daquele concelho do Centro Juvenil de Campanhã, que considerou «fortemente indiciados» de crimes de maus-tratos a utentes.

Segundo um advogado do processo, os arguidos ficam proibidos de contactarem com a instituição e com os utentes. Ficam ainda submetidos a termo de identidade e residência.

Os arguidos, que estão «fortemente indiciados» de maus-tratos a utentes, num total de 24 crimes, foram detidos na terça-feira pela GNR, após uma investigação desencadeada por denúncias de antigos funcionários e alunos.

As denúncias reportam-se a bofetadas, pontapés e agressões com toalhas molhadas e a castigos como arrancar ervas de joelhos.

Filipe Conceição, que foi aluno daquele Centro Juvenil durante 20 anos, disse mesmo, à porta do tribunal, que chegou a ser agredido com um ferro, que lhe deixou uma marca na barriga.

«Aleluia, que finalmente parece que se está a fazer justiça», referiu, sublinhando que deveriam ser «muitos mais» os detidos por maus-tratos.

A Lusa contactou a direção do centro, que se escusou a qualquer comentário.

O Instituto da Segurança Social também não se quis pronunciar, por o processo estar sob investigação judiciária.

O Centro Juvenil de Campanhã, com sede no Porto, tem cerca de 200 alunos e acolhe crianças e jovens em risco, do sexo masculino, recorda a Lusa.