Os capitães dos portos de Ponta Delgada, de Angra e da Horta explicam que as ondas grandes previstas para esta quinta-feira em algumas ilhas dos Açoresnão são um fenómeno assim tão raro e que o perigo depende da morfologia do fundo marítimo e da costa.

O perigo de uma onda muito alta depende de vários fatores, afirmou à Lusa o capitão do porto da Horta, Vieira Branco, acrescentando que isso tem a ver com o local onde as ondas se formarem. «Se [a onda se formar num mar] de águas profundas até à costa, toda a energia se dissipa na costa, logo o impacto é superior, mas se for numa zona em que o declive de profundidade vai diminuindo até chegar a costa, a energia vai-se dissipando e a onda vai perdendo potência, logo os estragos em terra diminuem», explicou.

Mesmo em terra, os danos serão diferentes dependendo da configuração da linha de costa, se for espraiada (com praia) ou escarpada (rochosa), referiu Vieira Branco.

O capitão do porto da Horta referiu que estes fenómenos acontecem com «alguma frequência» e disse esperar não haver problemas, já que as pessoas estão alertadas para os perigos. «Estão reunidas as condições para que os efeitos de danos sejam minimizados. A natureza tem muita força, mas as situações previnem-se e penso que estão tomadas as medidas necessárias para que isso aconteça», frisou.

Além disso, o responsável afirmou contar com o facto de as populações das ilhas mais afetadas estarem do lado contrário ao das ondas maiores.

«Nas Flores prevê-se mar de quadrante oeste, onde há um pequeno portinho. A maior parte dos núcleos populacionais de Santa Cruz e Lajes das Flores é na costa leste, estão mais abrigados, logo uma onda de oeste de 20 metros não terá consequências, o fenómeno tem de ser analisado localmente», exemplificou.

Também o capitão do porto de Angra, Silva Carvalho, desvalorizou a situação, adiantando à Lusa não prever que as ondas atinjam os 20 metros, mas que se fiquem pelos 12/15 metros. «Claro que é preocupante e perigoso para as embarcações mais pequenas. Nunca tinha feito o encerramento de portos, mas face aos alertas da Proteção Civil e do IPMA, decidi encerrar os portos às comunidades piscatórias», avançou.

Silva Carvalho adiantou ainda que este tipo de ondas é mais habitual em Inglaterra, no norte de França ou no Canal da Mancha, mas garantiu que foram reforçados os piquetes diários que recolhem informação na costa, além de estar a ser mantido um contacto permanente com os serviços da Proteção Civil e com os bombeiros.

O capitão do porto de Ponta Delgada, que abrange as ilhas de São Miguel e Santa Maria, referiu igualmente que a situação não é tão grave como pode parecer. «Eventualmente esperamos danos na orla costeira. Por um lado, na costa açoriana, a situação tende a não ser tão grave como na costa continental porque a morfologia no fundo [do mar] impede que as ondas se desenvolvam e propaguem junto a terra», explicou.

Ainda assim, Filipe Matos Nogueira explicou à Lusa que foram tomadas todas as medidas de precaução, tendo sido restringida a navegação nos portos e portinhos da sua área a embarcações de comprimento inferior a 30 metros.