O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, defendeu  esta sexta-feira que o Ministério da Educação deve resolver a questão de formação de professores e “deixar de denegrir” os docentes que chumbaram nas provas de português e física-química.

Em declarações hoje à agência Lusa, na sequência da divulgação dos resultados que dão conta de que as provas de português e de física-química foram as disciplinas com mais reprovações, o secretário-geral da Federação Nacional de Professores disse que “só vem confirmar que o Ministério da Educação (ME) não quer resolver a questão de fundo: a formação de docentes.

“Vem confirmar o que temos dito sempre, ou seja, que o ME não quer esta prova para tomar medidas, para resolver o problema de formação nas instituições, mas sim para massacrar e denegrir este grupo profissional”, declarou à agência Lusa Mário Nogueira.


Português (nível 2) e física-química foram as disciplinas com mais reprovações na componente específica da prova de avaliação de conhecimentos dos professores contratados, realizada em março, segundo divulgou na quinta-feira o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE).

Em declarações hoje à Lusa, o secretário-geral da Fenprof salientou que, se o ME corrigisse os problemas da formação, “deixava de haver razões para fazer a prova”.

“Se há jovens professores, acabados de formar que revelam dificuldades em determinadas disciplinas, devíamos perguntar: que consequência vai o ME tirar disto?"

"O que o ME vai fazer é impedir estes professores de se candidatarem aos concursos e não resolver o problema de fundo que diz respeito à formação nas instituições”, explicou.


De acordo com Mário Nogueira, as instituições não estão a formar adequadamente os professores.

“Temos de saber quais são as instituições onde estes professores são formados, onde são, porquê e temos de as corrigir e isso, o ME não fez”, disse.


Mário Nogueira lembrou ainda que as provas de português e de física-química foram precisamente as que “tiveram problemas”.

“A de português teve problemas e até teve de haver prolongamento de tempo porque havia um problema no próprio teste e a de química foi aquela que o próprio IADE reprovou porque tinha erros”, recordou.


A percentagem de chumbos em português (nível 2) atingiu os 60,4%, em 64 das 106 provas validadas, e em física-química os 63,2%, em 43 dos 68 testes considerados válidos.

Em contrapartida, nas restantes disciplinas, a taxa de aprovação foi superior à da reprovação, variando entre os 57,7% (biologia-geologia) e os 100% (artes visuais nível 1, educação especial 1 e 3, eletrotecnia e música).

A Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades destina-se a professores contratados, com menos de cinco anos de serviço, e, sem o seu aproveitamento, os docentes não podem posteriormente dar aulas.

Neste ano letivo, a componente comum do exame realizou-se a 19 de dezembro, enquanto a específica, de 25 a 27 de março.

O Ministério da Educação e Ciência justifica, numa nota divulgada na quinta-feira, a importância do exame de conhecimentos com a necessidade de garantir "uma geração de professores altamente preparada e qualificada" e de dar um "incentivo a uma maior exigência na formação inicial dos candidatos a professores".

Sindicatos, incluindo a Federação Nacional de Professores, a maior estrutura sindical do setor, contestam a legitimidade do exame, invocando que os docentes já demonstraram anteriormente as suas competências e os seus conhecimentos.