O secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, considerou esta sexta-feira «inadmissível» que o ministro da Educação tenha justificado a existência de mil horários completos por preencher nas escolas com a falta de interesse dos docentes.

Em declarações à agência Lusa, Mário Nogueira afirmou que o que o ministro fez foi «tentar limpar a sua imagem» e disse algumas «inverdades».

O ministro da Educação, Nuno Crato, declarou na quinta-feira em entrevista à SIC que, terminado o concurso de colocação de professores por contratação inicial e reserva de recrutamento, ainda há cerca de mil horários completos por preencher nas escolas, que atribuiu à falta de interesse manifestada pelos professores para os preencher.

O ministro recusou ainda que o concurso represente um atraso na colocação de docentes nas escolas face a anos anteriores, sublinhando mais uma vez que este ano houve um concurso geral, que teve influência no calendário das colocações.

Mário Nogueira assinalou que o ministro faltou à verdade quando disse que não houve atrasos nos concursos, referindo que o concurso geral deste ano teve influência no calendário. «Ora houve concurso geral em 2006, em 2009 e em 2013 e, isso não significou que as colocações dos professores contratados não tivessem sido feitas atempadamente. Este ano sim foram atrasadas», disse Mário Nogueira.

O secretário-geral da Fenprof considera incompreensível que as colocações aconteçam no dia em que tem início o ano letivo e que os professores sejam colocados a grande distância, o que implica alteração nas suas vidas.

«Os professores deveriam ter feito a apresentação no dia 1 de setembro se fossem colocados a tempo. Como não foram, professores foram impedidos de participar num dos momentos mais importantes do próprio ano que é a preparação do ano letivo, a discussão com os colegas de departamento para traçar objetivos para o ano letivo. O que acontece é que vão chegar às escolas e já têm os alunos à espera na sala. Isto é a primeira vez que acontece», salientou.

Mário Nogueira disse também que o ministro da Educação vai ter de dizer quantas vagas ainda existem nas escolas, que tipos de horários existem, se são para o ano todo e a que disciplinas correspondem.

Na entrevista à SIC, Nuno Crato garantiu que nenhum aluno ficará sem lugar nas escolas, porque «essa é a obrigação da escola pública», e disse ainda que a dimensão média das turmas este ano ronda os 21 ou 22 alunos.

Sobre este assunto, Mário Nogueira diz que a FENPROF vai divulgar em breve o nome de escolas em que existem turmas com 45 alunos ou com 36 ou 35 e que têm cinco ou seis alunos com necessidades especiais. «Além de ilegal demonstra uma falta de respeito pelas condições em que os alunos aprendem e pelos professores que não vão conseguir dar uma boa resposta educativa», acusou o líder da Fenprof.

Quanto aos 30 mil professores que se candidataram a um contrato e ainda não tiveram colocação, Mário Nogueira disse que a situação é «dramática». O ambiente no início do ano letivo, descreveu, é de «absoluto desânimo, desgaste, tristeza e indignação».