O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, lamentou esta sexta-feira não ter sido recebido pelo ministro da Educação, em Coimbra, tendo acusado Tiago Brandão Rodrigues de “fugir ao protesto” dos professores pelo descongelamento da carreira.

O ministro Tiago Brandão Rodrigues deslocou-se ao Convento de São Francisco, em Coimbra, para participar numa iniciativa na área da educação à qual os jornalistas não tiveram acesso.

Mário Nogueira disse aos jornalistas que os sindicatos “estão disponíveis para dialogar”, mas criticou o governante por ter entrado na sala através de uma garagem do edifício, longe do olhar dos dirigentes da Fenprof.

Nas escadas de acesso ao espaço de convenções, dezenas de sindicalistas afixaram uma faixa de grandes dimensões “contra o apagão” de mais de nove anos de tempo de serviço dos docentes, sem que esteja previsto resolver o problema no Orçamento de Estado (OE) para 2018.

Mais tarde, o líder da Federação Nacional dos Professores informou os jornalistas que uma assessora do ministro da Educação lhe comunicou a indisponibilidade deste para se encontrar hoje com uma delegação dos manifestantes.

Segundo contou o sindicalista, a assessora informou que “iria ser marcada atempadamente uma reunião com os sindicatos” para discutir a matéria.

Mário Nogueira admitiu, no entanto, não saber “se será no horizonte temporal que se exige”, ou seja, antes de o OE “estar fechado”, e lembrou que está marcada para dia 15 uma greve nacional dos professores.

Na sua opinião, importaria que a reunião anunciada por Tiago Brandão Rodrigues “fosse realizada na segunda ou na terça-feira”, ou que, pelo menos, fosse “negociado um compromisso” entre o Governo e os sindicatos.

Caso contrário, a Fenprof manterá a “jornada de luta” convocada para quarta-feira, que, segundo Mário Nogueira, será “uma das maiores greves de professores de sempre”.

Não aceitamos ser penalizados, nem discriminados”, disse, frisando que os professores exigem o descongelamento da carreira e recusam que “nove anos e meio de serviço sejam apagados”.

Tendo evitado um encontro com a delegação da Fenprof, Tiago Brandão Rodrigues “veio mostrar que quem deve, teme”, já que “fugiu ao protesto” e fez o que “outros ministros da Educação fizeram no passado”, concluiu.

Um Governo que não estima os seus professores, a ponto de pretender desprezar mais de nove anos de serviço cumprido, não pode afirmar (…) que tem a educação como prioridade”, afirma a federação, num comunicado distribuído no local do protesto.