Numa hora de "dor e luto nacionais", o Presidente da República fez questão de fazer uma comunicação ao país, este domingo, depois de ter estado, de madrugada no Pedrógão Grande, onde um grande incêndio matou 61 pessoas e fez outros tantos feridos. Marcelo Rebelo de Sousa fez um apelo à solidariedade dos portugueses, reconhecendo que há "interrogações e sentimentos" que, "legitimamente", angustiam neste momento os portugueses.

Guardemos, contudo, no imediato, este e outros sentimentos que legitimamente nos sobressaltam. Concentremos agora a nossa vontade no essencial: prosseguir o combate em curso, manter e alargar de forma ativa e consequente a nossa solidariedade a quantos sofreram e ainda sofrem desta tragédia". 

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O chefe de Estado disse que, neste momento, "a nossa dor não tem medida" e que "uma só morte é sempre uma tragédia". "Tantas dezenas de mortes" fazem desta uma "tragédia quase sem precedentes no Portugal democrático". 

Há interrogações e sentimentos que não podem deixar de nos angustiar. Um sentimento de crescida injustiça, porque a tragédia atingiu aqueles portugueses de quem menos se fala, de um país rural, isolado, com populações dispersas, mais idosas, mais difíceis de contactar, de proteger e de salvar".

Apesar desse "legitimamente" os portugueses poderem ter esses sentimentos, Marcelo pediu que todos se concentrem agora no combate às chamas e na ajuda aos afetados. 

Teve ainda uma palavra de gratidão e incentivo para quem está no terreno a combater as chamas e a ajudar as populações. "É uma hora de dor, mas também de combate, de resistência, de ânimo redobrado para bombeiros, Proteção Civil, INEM, GNR, PJ, Forças Armadas, autarquias locais, estruturas sociais, povo anónimo...".

A nossa ilimitada gratidão e o nosso condicional apoio. Com eles estarei de novo, nos próximos dias, a partir já de amanhã".

A propósito, o Presidente anunciou que o chefe de Estado da Colômbia "acaba de confirmar cancelamento da visita de Estado" prevista para esta semana, face ao que aconteceu em Portugal e já que é preciso canalizar todas as atenções para o reestabelecimento de populações e terreno.

Agradeceu ainda o "contributo" do Papa Francisco, de Espanha, Cabo Verde, Alemanha, República Checa, Grécia, do secretário-geral da ONU, do presidente da Comissão Europeia e do príncipe Aga Khan.