Dezenas de professores manifestaram-se, esta sexta-feira, na Praça  dos Restauradores, em Lisboa, aproveitando a presença do primeiro-ministro e do Presidente da República nas comemorações do dia 1 de dezembro.

A meia centena de professores, com cartazes a reclamar "respeito" e "justiça", procurou chegar à fala com o Presidente da República, que assistiu à cerimónia, mas não discursou, ao contrário do ano anterior, para lhe fazer chegar um protesto sobre a sua situação laboral.

Os docentes que se dizem prejudicados pelo concurso da mobilidade especial de 25 de agosto que terá levado professores, já com largos anos de carreira, a serem colocados a muitos quilómetros  da residência. 

Uma professora e mãe de três filhos chegou perto de Marcelo e, emocionalmente alterada, sublinhou que ficou colocada na Guarda. Os professores pedem a Marcelo que não seja "conivente" com a atitude do Governo, que dizem não querer dialogar, acusando o ministro da Educação de não os ouvir. 

As professoras referiram que foram "lesadas" pelo concurso de mobilidade interna de agosto, que excluiu os horários incompletos, sendo colocadas em áreas mais longe da residência. Na fase seguinte do concurso, dizem, esses horários já foram incluídos, acabando por deles beneficiar outros professores menos graduados.

Uma situação que Paulo Fazenda, um dos professores que estava no local, disse ser "ilegal".

Segundo as docentes está em preparação um anteprojeto de decreto-lei que "não resolve a situação" daqueles trabalhadores, diploma que Marcelo Rebelo de Sousa pediu para lhe ser entregue.

Questionado pela Lusa, o Presidente da República assegurou que irá analisar a situação: "Vou analisar porque eu não conhecia este projeto, vou ver", disse.

Perante as professoras, que ouviu durante quase dez minutos, Marcelo Rebelo de Sousa comprometeu-se a analisar o diploma, ouvindo que é, para aqueles profissionais, "a única esperança".

A cerimónia comemorativa da restauração da independência, que se assinala hoje, decorreu na Praça dos Restauradores, Lisboa.

Estes mesmos professores reclamam um concurso só para quem foi sujeito a estas colocações e já tinham pedido a ajuda do Presidente da República, numa outra ocasião.