O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse esta segunda-feira que falará sobre a polémica do fim dos contratos de associação com escolas ou colégios privados depois de conversar com o primeiro-ministro, António Costa.

"Dessa matéria em particular falarei depois de falar com o senhor primeiro-ministro", disse o chefe de Estado, quando questionado sobre a polémica do fim dos contratos de associação com escolas ou colégios privados.

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas à saída da cerimónia de apresentação da Coleção Digital de Livros Infantis Zero Desperdício, que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, no dia em que cerca de meia centena de pais, professores e encarregados de educação de escolas particulares e cooperativas deixaram mais de 50 mil cartas na residência do primeiro-ministro a pedir a manutenção do financiamento.

Antes, na intervenção que fez na cerimónia, a propósito dos desafios que se colocam hoje em dia à Europa e à sociedade portuguesa, o Presidente da República tinha já abordado brevemente a questão da Educação, admitindo que por vezes tem dificuldade em perceber "afrontamentos" que existem neste domínio.

"De quando em vez tenho dificuldade em perceber afrontamentos ao menos aparentes, que existem no domínio da educação por exemplo, ou como noutros, entre setores variados, o Estado, o setor social ou os privados quando o fim é o mesmo, a causa a prosseguir é a mesma, do que se trata é de saber compreender que há um dialogo a estabelecer e há caminhos de convergência que devem ser percorridos", disse, citado pela Lusa.

Apontando precisamente a educação como um dos desafios que se coloca hoje em dia à Europa, Marcelo Rebelo de Sousa lamentou a falta de pedagogia que tem existido "num projeto que nasceu vanguardista".

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Além da educação, o Presidente da República defendeu ainda a necessidade da Europa redescobrir os cidadãos e as suas iniciativas, advertindo que sem isso surgem os movimentos xenófobos, populistas, eurocéticos e de distanciamento em relação às instituições europeia.

Por outro lado, vincou, existe o desafio da preocupação social, numa Europa que tantas vezes tem sido "sobretudo finanças, economia, tecnocracia e não preocupação social".

"Se assim é na Europa, assim é na sociedade portuguesa", acrescentou, recordando que desde o dia da sua tomada de posse tem dito que "a proximidade em relação aos cidadãos e proximidade dos cidadãos relativamente à resolução dos problemas da comunidade", a preocupação social e a educação são dimensões fundamentais e estão interligadas.

"É evidente que no dia-a-dia é fundamental haver rigor na gestão, senão não há sustentabilidade dos projetos, mas todos os grandes rasgos se fazem para além do mero rigor da gestão", acrescentou, salientando a importância da preocupação e solidariedade social.

Relativamente à iniciativa dos cidadãos, Marcelo Rebelo de Sousa usou o exemplo do movimento "Zero Desperdício" - que aproveita os bens alimentares que antes acabavam no lixo, como comida cujo prazo de validade se aproxima do fim, fazendo-os chegar a pessoas que dela necessitam - para sublinhar que é possível criar movimentos nacionais através de iniciativas de cidadãos.

"É possível multiplicar estas iniciativas por todo o país nos mais diversos setores da vida portuguesa", afirmou, lembrando relativamente ao movimento "Zero Desperdício" que "o que parecia impossível em 2008, temerário em 2009, arriscado em 2010, provável em 2011 é hoje uma efetiva realidade".

"Está de parabéns o pioneiro", acrescentou o chefe de Estado, referindo-se a António Costa Pereira, adiantando que o irá agraciar com a Ordem do Mérito.