Marcelo Rebelo de Sousa teve dificuldades em aterrar no Funchal, foi para o Porto Santo e, dali, de helicóptero finalmente para o destino, para dar um "abraço" aos madeirenses, a quem teceu vários elogios, bem como aos profissionais que estiveram no terreno a combater o incêndio que fez três mortos e deixou 37 casas destruídas

O Presidente da República destacou o "comportamento exemplar das populações e execional bombeiros, Proteção Civil, todas as estruturas que tiveram de intervir".

Mas as populações, elas próprias, por instinto de preservação, reagiram imediatamente. Já têm os meios, a água, estão preparados na base do [que aconteceu no] passado. Outra lição fundamental: íamos a subir, e estava a começar a reconstrução. Esse espírito é muito importante, de que é preciso olhar para amanhã, sem deixar de estar atento à situação atual."

A mudança de vento complicou tudo durante a noite e estando no terreno deu para constatar isso mesmo, disse aos jornalistas. "De repente focos diferentes. Aquilo que parecia controlado parecia descontrolado em muito pouco tempo. Aqui dá para ver como foi. E, depois a velocidade com que avançou de norte para sul. Um fogo florestal passou a ser, também, um problema urbano. Havia que combater uma frente florestal e uma frente urbana. São dois combates completamente diferentes". Como há focos que permanecem, a preocupação é "tratar primeiro daquilo que está mais próximo das casas das pessoas". 

A propósito da visita do primeiro-ministro, António Costa, que terá lugar esta quinta-feira, com o ministro do Planeamento, Marcelo espera que se deem passos no sentido da ajuda financeira e logística. 

Isso implica utilizar o mecanismo previsto - a lei das finanças regionais prevê para situações de emergência e calamidade, disse o primeiro-ministro e disse bem. E isso implica obviamente um esforço financeiro. Há casas para reconstruir, todo um ambiente a reconstruir, há acessos, há cabos... Tenho a exata noção de que aquilo que se acompanhava à distância que era de uma gravidade e de uma extensão que só não foi maior pela capacidade de resposta que houve de todos."

Marcelo Rebelo de Sousa não tem dúvidas que o Governo da República "vai ser sensível, tem sido sensível" ao que está a acontecer. Também lá de fora chegaram mensagens que comoveram o Presidente.

Ainda há pouco vinha a chegar e recebi uma mensagem do Rei de Marrocos a perguntar se era preciso meios. A embaixadora do Reino Unido a dizer que a Madeira diz muito aos britânicos, e a disponibilizar o que for necessário. Mesmo a nível diplomático, o acompanhamento que houve mostra solidariedade. Agora é preciso virá-la para o futuro."

A ajuda europeia vai chegar, em meios, mas o chefe de Estado espera que o Governo veja o que é possível " em termos de fundos canalizar para aqui".

Amanhã [quinta-feira] está cá o senhor primeiro-ministro. Precisamente, a sua missão não é só de solidariedade, é executiva", considerou, antecipando que António Costa se vai sentar "à mesa com o senhor presidente do Governo Regional e vão ver de onde vêm os fundos, se é da Europa, se é do Orçamento, para que situação de emergência".

Segundo o Presidente da República, "feito o levantamento, feitas as contas, feito o somatório das necessidades, é preciso começar a reconstruir".

Quanto à prevenção de incêndios e às críticas que têm surgido, o Presidente evitou alimentar a polémica.

Tenho tido algum cuidado em... Mas há bocado disse, noutro contexto diferente, no continente, uma coisa que se aplica com adaptações aqui: está visto que onde havia áreas abandonadas, áreas devolutas, áreas às vezes devolutas porque não se sabe a quem pertence, problemas de cadastro ou de partilhas. Aí o risco é maior. Portanto, há que atuar para prevenir no futuro. Fazer o cadastro, no continente, atualizá-lo. Aqui, há que estudar mecanismos para impedir que, mesmo em zona urbana haja áreas isoladas, devolutas, abandonadas, que sejam um perigo para todos."

Quando aterrou no Funchal, Marcelo acabou por cometer uma gafe. Antes de dizer que tinha decidido marcar presença para "agradecer a todos os que têm sido excecionais", afirmou que ia "dar o abraço de Portugal à Madeira". Ora, o arquipélago também faz parte de Portugal.

Visita mais prolongada para mostrar que "a vida continua"

Marcelo Rebelo de Sousa disse hoje que pretende regressar à Madeira no final de agosto para “mostrar que a vida continua” depois dos incêndios que fustigaram a ilha.

Eu tenciono vir cá daqui até ao final do mês de agosto para mostrar que, verdadeiramente, não há razão nenhuma para quem tencionava vir para à Madeira deixe de vir”, disse o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que está esta noite na Madeira, uma visita que esteve programada inicialmente apenas para deslocar-se às Ilhas Desertas e às Ilhas Selvagens, mas anunciou que ficará “mais tempo”, numa demonstração que “a vida continua” e a “normalidade continua a ser a regra”.

“O espírito de que é preciso olhar para o amanhã sem deixar de estar atento para a situação atual, mas começar a reconstruir”, foi outro dos comentários feitos pelo Presidente da República sobre a situação da Madeira.