O coletivo de juízes que está a julgar o processo «Face Oculta» já tem em mãos o relatório da perícia sobre o desmantelamento da Central de Alto Mira da REN - Redes Energéticas Nacionais, que estava a atrasar o julgamento.

A informação foi avançada pelo juiz-presidente Raul Cordeiro, na 151.ª sessão do julgamento, que decorreu hoje no tribunal de Aveiro.

Segundo o magistrado, neste momento está a decorrer o prazo de dez dias para os sujeitos processuais analisarem os documentos elaborados pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

Há vários meses que se aguardava a conclusão da diligência, que tinha sido requerida pelas defesas dos arguidos Fernando Santos e Vítor Batista para esclarecer as divergências existentes sobre a quantidade de resíduos retirados do local pela empresa O2, de Manuel Godinho, o principal arguido no processo.

Devido ao atraso na realização da perícia, o julgamento sofreu um enorme revés, levando o tribunal a agendar audiências com uma periodicidade mensal, desde março passado, em vez das habituais quatro sessões semanais.

As duas próximas sessões do julgamento foram agendadas para 27 de setembro e 01 de outubro e deverão servir para a audição de testemunhas ou prestação de esclarecimentos por parte dos peritos.

O juiz-presidente informou ainda que, a partir de outubro, o julgamento deverá voltar a ter quatro sessões por semana (de terça a sexta-feira).

Ainda na sessão de hoje, a primeira após as férias judiciais, o tribunal voltou a inquirir um engenheiro da empresa de consultadoria Quadrante, que elaborou o estudo para a determinação das quantidades de betão que foram demolidas das bacias de retenção dos tanques da Central de Alto Mira.

A testemunha foi chamada novamente pelo coletivo de juízes para prestar esclarecimentos adicionais sobre os trabalhos de desmantelamento.

O processo «Face Oculta» está relacionado com uma alegada rede de corrupção, que teria como objetivo o favorecimento do grupo empresarial do sucateiro Manuel Godinho, nos negócios com empresas do setor empresarial do Estado e privadas.

Entre os arguidos estão personalidades como Armando Vara, antigo ministro e ex-administrador do BCP, José Penedos, ex-presidente da REN, e o seu filho Paulo Penedos.