Os trabalhadores da EMEF Barreiro saíram esta sexta-feira à rua em protesto contra uma eventual privatização da empresa, com o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, a defender que o caminho a seguir deve ser o do investimento.

Mais de uma centena de trabalhadores da Empresa De Manutenção De Equipamento Ferroviário (EMEF) participou num protesto que percorreu as ruas do Barreiro, terminando com uma concentração junto ao parque Catarina Eufémia, no centro da cidade.

"A EMEF é uma empresa estratégica para o desenvolvimento do setor ferroviário. Para além da manutenção, com um investimento pode dar resposta à construção de material ferroviário. Vai ter que haver renovação de material da CP e do Metro em breve e precisamos de uma empresa nacional para dar resposta", disse Arménio Carlos, que participou na iniciativa.


O secretário-geral da CGTP referiu que a privatização da EMEF não faz sentido e sublinhou que esse ato põe em causa os interesses nacionais.

"Justificaram as privatizações para reduzir a dívida, mas ela aumentou. Disseram que era necessário acabar com o monopólio público para aumentar a concorrência, mas agora temos o monopólio privado, e disseram que a concorrência iria fazer baixar os preços, mas estes aumentaram", afirmou.


Arménio Carlos afirmou que o caminho que tem sido seguido tem como objetivo "degradar a imagem da empresa", retirando capacidade de resposta à EMEF.

"Este governo, que está desesperado e em vésperas de eleições que sabe que vai perder, quer fazer nos últimos meses de vida aquilo que a luta dos trabalhadores impediu que se concretizasse nos últimos anos. Isto mostra bem o desespero e que estas ideias têm a ver com uma ideia ideológica, de destruir tudo o que tem a ver com o setor empresarial do Estado", defendeu.


Filipe Marques, trabalho da EMEF e membro do Sindicato Nacional dos Ferroviários, referiu que os sucessivos governos têm seguido uma "má estratégia", criticando a intenção de privatizar a empresa.

"Este governo optou pela privatização. mas este é um processo que vem sendo preparado há algum tempo. Já houve um acordo complementar com a Siemens, que passou trabalho que podia ser feito na EMEF de reparação das máquinas elétricas para esta empresa e foi feita a entrega da unidade de desenvolvimento tecnológico que a EMEF detinha e em que ficou minoritária", como reporta a Lusa. 


O responsável referiu que a EMEF do Barreiro perdeu cerca de 470 trabalhadores nos últimos cinco anos, tendo agora cerca de 90 trabalhadores no ativo.

"No Barreiro, estão menos de 100 trabalhadores, com muitos a serem transferidos para outras oficinas da EMEF. Foi feita toda a eletrificação na linha do Sado, com exceção de 300 metros que permitiam o acesso das máquinas elétricas às oficinas da EMEF", defendeu.

Filipe Marques garante que os trabalhadores estão dispostos a lutar e a "fazer tudo o que for possível" para parar o processo de privatização.