Por: Redacção | 8- 10- 2011 10: 47
Uma «auditoria cidadã» à dívida pública é uma das propostas que vai ser apresentada à assembleia popular que se reunirá
dia 15 em frente ao Parlamento após a manifestação que começará na rotunda do Marquês de Pombal, em Lisboa.
«Neste
momento estamos a pagar algo que não sabemos de onde vem (¿) nem a quem devemos», afirmou, numa entrevista à agência Lusa,
Paula Gil, dirigente do Movimento Doze de Março (M12M), uma das quase 30 organizações que convocaram o desfile do próximo
sábado na capital e noutras cidades do país.
Democracia participativa, iniciativa legislativa do cidadão e transparência
são os três vectores principais em que apostam os organizadores, um núcleo de oito pessoas que adoptou como nome a data da
manifestação realizada a 12 de Março em Lisboa e que reuniu mais de 200 mil pessoas, na maior concentração realizada nos últimos
anos em Portugal.
Terminar o desfile de sábado na Assembleia da República é «simbólico» e pretende lembrar os deputados
de que a voz dos cidadãos tem de ser ouvida. «As políticas têm que ser discutidas com as pessoas», considera Paula Gil.
Independentemente
da adesão que venha a registar, a manifestação «é, por si só, já um sucesso», sustenta, atendendo a que originou uma plataforma
de movimentos sociais e cívicos, que se «juntaram em torno de uma mobilização contra a situação em que vivemo».
«Protecção
dos credores»
A sociedade portuguesa é actualmente atingida por uma «situação insustentável, de agressão directa
às pessoas, em que o Estado se comporta como se o seu primeiro objectivo fosse a protecção dos credores e dos mercados e não
a protecção das pessoas», advoga a activista de 27 anos, uma portuense licenciada em Relações Internacionais na Universidade
de Coimbra, tal como os restantes três fundadores do M12M.
Para alterar a situação e efectivar as teorias que defendem,
Paula Gil aponta como caminho possível o exemplo do Brasil, onde foi criado um movimento baptizado Controlo Social que integra
os cidadãos comuns, mas também especialistas, que se envolvem na política, contribuindo no processo de tomada de decisões.
Um
dos resultados já evidenciados é a «baixa significativa da corrupção», aponta. «O que é preciso nos dias 16, 17 [a seguir
à manifestação] é a mudança de mentalidades e de consciências, que as pessoas sem envolvam na política, que dêem a sua opinião,
que dêem a sua voz», desafia Paula Gil.
Embora considerando «essencial» o papel dos partidos e dos sindicatos no
actual sistema político, a dirigente do M12M considera que, para haver um «complemento total na sociedade», às organizações
tradicionais «devem juntar-se as pessoas».
«Apelo a que venham todos, porque neste momento estamos todos a ser atacados»
com os cortes nos salários e subsídios e nos aumentos de impostos e bens essenciais.
«Acusação muito grave»
Até
agora, os organizadores contabilizam um factor negativo que lhes veio causar alguma perplexidade: a notícia de que as autoridades
policiais temem que a movimentação social de dia 15 poderá degenerar nos maiores tumultos registados em Portugal depois de
1975, durante o chamada PREC (Período Revolucionário em Curso).
«É uma acusação muito grave» que só pode ocorrer
por uma de três razões: «Ou esses tumultos estão planeados e vamos ser infiltrados e vão acontecer tumultos como em Espanha,
ou foi uma forma de desviar a atenção por não estarmos [Portugal] a cumprir o défice ou uma forma de criar medo e levar as
pessoas a desmobilizarem», sustenta.
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