O ministro da Administração Interna negou hoje que se esteja a preparar o encerramento de esquadras nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, explicando que se trata de «redimensionar o dispositivo» para acabar com «irracionalidades».

«Não se trata de encerramento. Trata-se de redimensionar o dispositivo, relocalizando em alguns casos e, noutros casos, porque faz sentido, encerrar sim. Trata-se de encerramentos, trata-se de abertura de outras esquadras, recolocação de outras», explicou Miguel Macedo, em Guimarães, à margem da apresentação do Parque Florestal da Penha.

O responsável ministerial adiantou que o Governo «está a trabalhar» a proposta técnica apresentada pela PSP, em fevereiro, que propunha o encerramento de oito esquadras de atendimento e três postos de informação de polícia (PIAP) no Porto e a desativação de 11 esquadras e a abertura de dois serviços de atendimento partilhado e de policiamento de proximidade (SAPPP) em Lisboa.

«Queremos acabar com algumas irracionalidades do dispositivo», explicou Miguel Macedo, que rotulou aquela reorganização como «fundamental» para se adequar o serviço policial às atuais exigências.

«Uma parte importante deste dispositivo que está em Lisboa e Porto foi definido há muitos anos (...) e houve evoluções de ocupação e desenvolvimento urbanístico, que determinam que se redimensione esse dispositivo», justificou.

Segundo a proposta de reorganização, a redução de esquadras em Lisboa e Porto permite redirecionar 381 agentes para funções de policiamento e promover a visibilidade policial e o combate à perceção de insegurança.

O projeto de reorganização para o Comando Metropolitano da PSP do Porto prevê o encerramento das esquadras de atendimento na praça Coronel Pacheco, na rua da Boavista, no Carvalhido, no Lagarteiro, em São João de Deus, Leça da Palmeira e Areosa.

O documento aponta ainda para os encerramentos dos PIAP de Guifões, Leça do Balio e Vilar de Andorinho.

A falta de condições mínimas das instalações e o número de ocorrências quase nulas são algumas das razões apontadas para o encerramento destes esquadras e PIAP, adianta o documento, que foi concluído em outubro de 2103.

O projeto indica também que a sede da Divisão de Investigação Criminal (DIC) do Porto «deve ser transferida o mais rapidamente possível ou requalificada, por não ter condições mínimas de funcionamento», estando o edifício degradado.

Em Lisboa, o projeto propõe o encerramento das esquadras de Santa Marta, Boavista, Mouraria, Rato, Zona J de Chelas, Campolide, Horta Nova, Bairro Padre Cruz, Quinta da Cabrinha, Arroios e Santa Apolónia.

Com este plano de reorganização, a PSP aponta para uma poupança de 53.000 euros, que não terá impacto na redução da despesa pública, mas poderá ser investido na melhoria das condições de trabalho dos polícias.