O Movimento Justiça e Democracia considerou hoje que os magistrados não podem aceitar os cortes nos salários «de forma passiva», sublinhando que são «perfeitamente incomportáveis para as pessoas e para os juízes».

A presidente do Movimento Justiça e Democracia, Cristina Esteves, aludiu ao regime de exclusividade dos juízes, «que não lhes permite procurar outra forma de sustento em qualquer situação adversa da vida», e frisou que «não é possível continuar a aceitar» os cortes salariais.

«Os juízes estão no limite da indignação e os portugueses estão todos em geral no limite da indignação», acentuou à Lusa a juíza do Movimento Justiça e Democracia, criticando o Orçamento do Estado para 2014.

«Não obstante haverem as decisões do Tribunal Constitucional, que vão delineando um outro caminho que não este, continua-se, sistematicamente, a tornear as decisões, de forma a manter um nível de cortes de salários e pensões perfeitamente incomportável».

Cristina Esteves disse à agência Lusa que «há, de facto, a consciência de que isto não pode continuar, sob pena de as pessoas não poderem fazer face aos seus compromissos».

Sem se pronunciar sobre a possibilidade de uma greve dos juízes, hipótese avançada após reunião do conselho geral da Associação Sindical dos Juízes Portugueses no sábado, a presidente do Movimento Justiça e Democracia referiu-se ainda à organização judiciária, em particular ao corte do quadro de magistrados.

«Vão ser reduzidos alguns quadros [de juízes] que passarão a ter alguma intinerância», observou.

Cristina Esteves sustentou que, além de «todas as dificuldades que resultam destes cortes, não é agradável que um magistrado esteja hoje em Mafra e amanhã em Sintra».