A Entrajuda vai lançar uma rede de lojas solidárias em todo o país, onde as famílias carenciadas podem adquirir móveis, eletrodomésticos e outros bens doados por particulares e empresas, disse à Lusa a presidente da instituição.

A Rede Dar e Receber, que pretende dar resposta às necessidades específicas dos mais carenciados em bens não alimentares e equipamentos novos ou usados, nasceu da experiência adquirida com a plataforma Dar e Receber, criada há três anos pela Entrajuda e pela Cáritas Portuguesa.

Isabel Jonet explicou que a rede permite “aproximar fisicamente quem quer dar de quem precisa de receber”, contribuindo para uma resposta mais rápida às necessidades identificadas.

“O que constatámos foi que temos um portal que teve muitas visitas e muitas doações”, mas que muitas vezes eram difíceis de levantar, porque “há uma grande dificuldade na parte mais logística”, adiantou.

Câmaras cedem espaço e transporte

Para ultrapassar a dificuldade da distância vai ser aberto em vários locais do país um “espaço Dar e Receber”, um armazém cedido pela autarquia local, que armazenará os produtos de maior dimensão, como mobiliário e eletrodomésticos, onde as instituições podem abastecer-se.

Segundo a presidente da Entrajuda, o transporte dos bens doados será assegurado pelas câmaras municipais locais.

“Temos já diversas câmaras que aderiram a este projeto” e “em breve vamos poder abrir de forma sistemática as lojas desta rede”, que também promovem a criação de emprego através de oficinas de recuperação de equipamentos, adiantou.

Estes espaços terão uma gestão comum, baseada numa aplicação informática, que permitirá pôr em rede os vários armazéns e gerir os ‘stocks’ que têm nas lojas e os apoios concedidos

Nestas lojas, as famílias referenciadas pelas instituições de solidariedade social podem adquirir o que “realmente necessitam”.

“Cada família tem que ter um cartão que faz com que a ajuda não seja apenas assistencialista”, mas “mais autonomizante”, explicou a responsável.

“Aquilo que queremos também é que cada família, cada pessoa, que é excluída do mercado de trabalho possa encontrar nestes espaços formação prática”, disse, dando como exemplo a loja em Lisboa, que terá uma “oficina informática”, onde os jovens podem ganhar competências que lhes permita “ganhar um salário”.

Fazendo um balanço dos três anos da plataforma, Isabel Jonet disse que continua convicta de que “é uma ideia com um grande potencial”, uma vez que há “muitos produtos que a população em geral quer doar e há pessoas que deles precisam”.

Além das autarquias são parceiros da Rede Dar e Receber as IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social), que assistem os carenciados e necessitam de produtos, e os doadores.

A rede, assente em parcerias locais, permite, através da plataforma www.darereceber.pt, congregar entidades, fomentar parcerias e promover o trabalho em rede para recuperar e distribuir criteriosamente os bens e equipamentos, contribuindo também para acabar com o desperdício.