O ministro da Cultura, João Soares, disse, esta quarta-feira, no Porto, que a Cultura pode ser motor de desenvolvimento e afirmação no plano comercial para Portugal e apontou a histórica Livraria Lello como bom exemplo.

“A Livraria Lello é também uma prova de que a Cultura tem mercado e tem um espaço de afirmação no plano comercial para o país, mas sobretudo de que a Cultura pode ser um motor para o desenvolvimento”, declarou aos jornalistas João Soares, depois de ter aberto as portas da Livraria Lello, espaço que está a festejar hoje o 110.º aniversário.


Sobre um livro a comprar, João Soares inclinou-se para Fernando Pessoa: “Dizem-me que o Fernando Pessoa está no top das vendas da Lello e o Fernando Pessoa é sempre uma compra oportuna, tanto mais que eu, enquanto vereador da Cultura, já fui autarca durante 12 anos na Câmara Municipal de Lisboa (…) e se há uma obra de que me orgulho é de ter feito a Casa Fernando Pessoa, que é hoje uma referência que pode começar a ombrear também com a Lello no Porto”.

João Soares prometeu ainda regressar sempre que possível ao Porto e confessou até que desde que é ministro já visitou a Invicta quatro vezes, tendo até recebido “queixas” do sul.

“Eu sou responsável na área da Cultura no Governo português há dois meses, se tanto, e já vim ao Porto pelo menos quatro vezes. Até já começo a ter o eco de algumas queixas a sul, porque dizem que tenho estado menos presente, mas eu venho sempre aqui com um grande gosto e lembro-me de ter vindo aqui muito antes do 25 abril (…), nomeadamente às celebrações do 31 de janeiro, no Coliseu do Porto, e às vezes com cargas policiais”, declarou o ministro da Cultura, reconhecendo ter uma memória afetiva em relação ao Porto, onde tem “um grande prazer em estar”, cita a Lusa.

No livro de ouro da Lello, João Soares escreveu que se juntava “modestamente” aos votos formulados por Guerra Junqueiro e Afonso Costa há 110 anos, no dia da abertura pela primeira vez da Livraria Lello, desejando felicidades para os próximos 110 anos e exprimindo a sua “admiração” e a sua “gratidão enquanto ministro da Cultura, mas sobretudo enquanto cidadão, enquanto português pelo trabalho que a família Lello tem feito ao longo destes 110 anos por Portugal na Livraria Lello”.

O administrador da livraria, José Manuel Lello, admitiu hoje à Lusa que a Lello ainda tem “margem de manobra” para aumentar a venda de livros, com “capacidade de crescimento por duas vias”; uma através da melhoraria das lacunas que têm e, a segunda, é recuperando os “clientes do Grande Porto, os clientes habituais que se afastaram pela sobrecarga de visitas que tinham”.

“Estou confiante. Só espero que nos próximos 100 anos tenhamos também e as pessoas que nos sucederem a capacidade de fazer este mesmo trabalho”, disse José Manuel Lello, referindo que “há 110 anos ninguém acreditaria que esta livraria fosse o que ela é hoje”.

“As várias gerações de pessoas que estiveram à frente dessa casa souberam adaptar-se a essas mudanças”, explicou.

A Lello, a mais antiga livraria da cidade do Porto, inaugurada em 1906 e classificada como monumento de interesse público em 2013, festeja hoje um século e uma década de existência entre as 10:00 e as 21:00, com “um dia aberto à cidade”, onde as entradas voltam a ser gratuitas para os visitantes, informa a gerência.

A Livraria Lello, cujas entradas passaram a ser pagas desde julho de 2015 através de um voucher dedutível em livros, vai também dar aos primeiros mil visitantes um colecionável de fotografias antigas da livraria, tiradas na sua inauguração.