A Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo está a preparar uma nova lista de utentes «não-frequentadores» dos centros de saúde para colmatar a falta de médicos de família.

O presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Cunha Ribeiro, disse à Lusa que cerca de 63 mil utentes nesta região ficaram sem médico desde janeiro, devido à aposentação de 42 clínicos.

Luís Cunha Ribeiro disse que atualmente existem 649 mil utentes sem médico de família e um «grande problema», já que mais 162 médicos aguardam a reforma, o que poderá acontecer ainda este ano.

É perante estes números que a ARS de Lisboa e Vale do Tejo retomou a iniciativa desenvolvida em 2012, enviando desta vez cartas a 170 mil utentes, a questionar-lhes se querem ficar com o médico de saúde, apesar de não terem tido nenhum contacto com o seu centro.

Estes utentes «não frequentadores» são os que, nos últimos três anos, não recorreram a qualquer serviço do seu centro de saúde, como consultas, vacinas ou enfermagem.

Com a saída destes utentes das listas dos médicos de família, a ARS conta proporcionar médicos para outros 80 mil.

Luís Cunha Ribeiro considera que a anterior medida ¿ com o envio de 750 mil cartas, que resultaram na atribuição de médico de família a mais 300 mil utentes ¿ «foi bem-sucedida».

Estes utentes «não perdem nada», garante Luís Cunha Ribeiro, lembrando que «em qualquer momento que recorram a um centro de saúde são ativados novamente. Não perdem nada».

«A ideia é pessoas que, como opção, não recorrem ao centro de saúde, darem lugar na lista do médico de família a alguém que tem necessidade de médico de família», adiantou.