As primeiras obras no Conservatório Nacional de música para remendar telhados, teto e pátio vão custar cerca de 43 mil euros, revelou esta quarta-feira a diretora daquela escola, sublinhando que se trata de uma intervenção paliativa.

O anúncio foi feito no final da visita dos deputados da Comissão de Educação, Ciência e Cultura à Escola de Música do Conservatório Nacional (EMCN), que se encontra em avançado estado de degradação e tem já dez salas encerradas por questões de segurança.

«Foi aprovado o orçamento apresentado ontem, que são pouco mais de 43 mil euros e que vão servir para remendar telhados, teto e o pátio», contou aos jornalistas a diretora da EMCN, Ana Mafalda Pernão, explicando que agora vai pedir a verba e, caso seja aceite, a empreitada poderá ser adjudicada no final do mês.

No entanto, tanto a direção da escola, como professores, encarregados de educação e deputados sublinharam que estes trabalhos serão insuficientes.

«A única coisa autorizada foram obras absolutamente urgentes para tentar evitar os problemas mais graves de infiltrações e a recuperação das salas afetadas. Mas as obras desta escola vão muitíssimo para além disso”, sublinhou a presidente da associação de pais, Elsa Maurício Childs.

Uma posição partilhada também pelos deputados: «São um paliativo para a situação da escola, são as obras absolutamente urgentes», afirmou o presidente da comissão parlamentar, Abel Batista (CDS-PP), no final da visita, marcada por simbólicas ações de protesto.

Na porta principal da ENCN um cartaz informava sobre o «uso obrigatório de capacete de segurança» e, por isso, a cada um dos deputados foi entregue um capacete para que pudessem visitar as instalações, onde mais de 800 alunos têm aulas.

O edifício do século XVII, onde há 180 anos funciona o Conservatório Nacional, está em avançado estado de degradação, até porque «as últimas obras foram há 70 anos», disse o professor de canto, António Wagner Dinis, lembrando que desde a revolução de abril «todas as direções (escolares) dirigiram para todos os ministros pedidos e até agora não houve resposta nenhuma».

«Estamos condenados a ir caindo», desabafou o professor em declarações à Lusa.

Hoje, os deputados foram recebidos por dezenas de alunos que jaziam silenciosos no hall principal do conservatório ao som do quarteto de cortas de Dvorák.

Ao peito, cada um dos estudantes transportava um cartaz onde se podia ler algumas das consequências da degradação da escola: «Não tive aula de Flauta», «Não tive aula de História», «Não tive aula de… Português, Música Antiga, Expressão Dramática, História, Inglês, Matemática, Coro….».

«Não dei aula de Piano», «Não dei aula de Formação Musical» ou «Não pude afinar um piano» eram algumas das mensagens dos professores.

No final, a escola disse que iria continuar a lutar até ser recebida pelo ministro da Educação, Nuno Crato, uma exigência compreendida pelos deputados.

A deputada do PCP Rita Rato sublinhou a urgência de a direção ser recebida por Nuno Crato e de o Ministério da Educação garantir verbas para a recuperação do edifício e criar um plano a longo prazo para a ENCN.

A posição foi partilhada também pelo PS, com a deputada Gabriela Canavilhas a sublinhar que "a degradação grita por uma intervenção de fundo".

O deputado do Bloco de Esquerda, Luis Fazenda, sugeriu hoje aos colegas da comissão que fosse assinado um documento conjunto para que Nuno Crato recebesse a direção.

«É um processo que nos envergonha coletivamente do ponto de vista do país. É um processo que tem de ser resolvido e que deve ser atendido», afirmou a deputada do PSD Ana Sofia Bettencourt.

Para já fica garantindo que o assunto será discutido em plenário da Assembleia da República, uma vez que a petição em defesa do Conservatório Nacional lançada na passada sexta-feira já ultrapassou as quatro mil assinaturas necessárias.

«Como os gauleses: Só temos medo que nos caia o teto em cima», afirmavam em silêncio alguns docentes e estudantes através dos cartazes que carregavam ao peito.